Chocolate

Chocolate fitness. Verdade ou marketing?

Por Ana Paula Scinocca

12/04/2017, 13h58

   

 

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A Páscoa é domingo. E se você der, até lá, uma voltinha nas lojas de chocolates e supermercados vai se deparar com uma grande variedade de ovos.  Mas, nos últimos anos, uma novidade apareceu para os chocólatras: o ovo de Páscoa “fitness”. As lojas especializadas em suplementos alimentares atenderam a demanda do mercado e criaram ovos pensando naquelas pessoas que adoram malhar, mas fogem do chocolate ao leite tradicional, com medo de ganhar uns quilinhos extras.

Hoje, conversamos com Clayton Camargos, doutor em nutrição pela Universidade de Barcelona e diretor executivo da clínica MetaFísicos, em Brasília-DF, para saber um pouco mais sobre esse chocolate que foca na boa forma. Será verdade ou apenas uma jogada de marketing?

Eis a entrevista:

 

Existe mesmo ovo fitness?

Clayton Camargos – Esse é um termo definido pela indústria de suplementos nutricionais esportivos para ilustrar preparações de ovos de páscoa com ingredientes comuns para esse mercado. Por exemplo, com composições mais protéicas, maior concentração de cacau, que utilizam menos açúcar ou ingredientes alternativos aos tradicionais como óleo de coco, chia, dentre outros.

 

Qual é a diferença deles para os ovos comuns?

Clayton – O que mais se destaca é a alta densidade protéica e de cacau, entretanto, mesmo que utilizem ingredientes aparentemente mais saudáveis não significa que terão valores energéticos inferiores às preparações tradicionais.

 

Para quem é indicado esse tipo de ovo?

Clayton – Em princípio, temos que entender que não se trata de um ovo necessário para nenhum tipo de dieta saudável, sobretudo, trata-se de uma sobremesa de exceção, assim como os ovos de chocolates são: para consumo com parcimônia, considerando o contexto de celebração da páscoa. No entanto, por circunstância dos seus ingredientes, da sua composição geralmente mais protéica, são produtos destinados para indivíduos que pratiquem atividade física com freqüência regular e intensidade de moderada para alta, cujos organismos necessitem de um aporte nutricional específico, com mais proteína, por exemplo, para suprir suas necessidades nutricionais. Portanto, não é o tipo de produto que deve ser consumido pelo público em geral e, mesmo para os praticantes de atividade física, deve-se atentar para a real necessidade de incluir esses itens em sua rotina alimentar.

 

Existe uma quantidade máxima de ingestão desse ovo por dia ou podemos comer de uma vez só?

Clayton – Ocorrem ovos de páscoa cujo peso têm 300 g e a quantidade de 60 g de proteína, isto significa 20% deste nutriente na composição total do produto. Para um indivíduo médio, praticante de atividade física de baixa intensidade, considera-se a ingestão entre 0,8-01 g/kg de proteína por dia. Se utilizarmos como referência uma pessoa com peso de 75 kg frente à quantidade de proteína do exemplo, teremos 0,8 g de proteína/kg, o que já é uma quantidade considerável desse macronutriente, e isso sem considerar o consumo de proteínas contidas no restante da rotina da dieta, por exemplo, presentes nas carnes, leite e derivados, leguminosas. Enfim, trata-se de uma quantidade bem elevada de oferta protéica e cujo excesso pode repercutir em sobrecargas renal e hepática. Dessa forma, quando indicado, esses ovos protéicos devem ter sua ingestão limitada, não fazendo o consumo de todo seu conteúdo em uma única ocasião. De maneira geral, recomenda-se não ultrapassar 20 g/dia, com variações que podem ser melhor determinada mediante consulta com um nutricionista;

 

Ao comprar esses ovos devemos ficar atentos a que no rótulo?

Clayton – Aos seguintes itens: calorias, açúcar, proteína, gorduras totais e saturadas, concentração de cacau, sódio e presença ou não de gordura hidrogenada. Vale sempre comparar os valores registrados entre um produto tradicional e outro chamado “fitness”, e observar até que ponto é custo-benefício nutricional adquirir um produto em detrimento do outro. Por exemplo, o fato de portar mais proteína ou menos caloria não significa que se trata de uma alternativa mais saudável; se o produto tiver mais gordura saturada, hidrogenada e sódio do que o similar em comparação já deixa de ser uma boa escolha. Sabemos, por exemplo, que o consumo regular de gordura saturada e sódio são ativos associados à manifestação de doenças cardiovasculares e, portanto, precisam ter seu consumo constrangido considerando uma alimentação equilibrada. De outra parte, chocolates com concentração de cacau mais elevada, 70% ou mais, se tornam ótimas escolhas em razão da maior presença de ativos antioxidantes que não apenas protegem o coração, mas podem auxiliar no controle e até redução de peso. Uma curiosidade: na rotulagem nutricional, os primeiros ingredientes que aparecem na tabela são os que estão em maior quantidade na composição do produto. Por exemplo: se o 1o item exibido é a gordura hidrogenada, significa que esta é o item em maior quantidade na preparação. Entenda, não é avaliar simplesmente o valor bruto dos registros apresentados nos rótulos, mas considerar seu impacto relativo no estado geral de saúde, e muitas vezes é sim necessário buscar opinião de profissional qualificado para orientar essas escolhas.

 

Segundo o nutricionista, até para os chocolates mais saudáveis é preciso ter bom senso e controle. Caso contrário, vai engordar da mesma forma. Equilíbrio é a palavra chave!
Até semana que vem!

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