Ela bateu a mão sobre a mesa e disse:

– A partir de hoje, ninguém mais vai me impedir de ser feliz!

Ela estava segura, determinada e decidida. Dali pra frente, nada ou ninguém impediria a sua felicidade. Disse e redisse e rerredisse. Em tom de ameaça e triunfo. “A partir de hoje, ninguém mais vai me impedir de ser feliz”. A família achou graça. Os amigos também. Não ousaram revidar, nem comentar. Limitaram-se a ouvir e aceitar. Ela dizia com tanto gosto, era tão bom vê-la segura de si, que não quiseram atrapalhar com comentários bobos, desanimadores ou perguntas que não levariam a lugar nenhum. Mas ficaram sem entender. Resgataram as memórias, relembraram momentos e não conseguiram encontrar um acontecimento específico ou algo que tenham feito que havia impedido a felicidade dela. Não acharam um culpado específico. E não encontrariam, mesmo que procurassem até o fim dos dias.

Ser feliz não depende de alguém ou alguma coisa. Nada nem ninguém é capaz de impedir a felicidade do outro, a não ser a própria pessoa. A felicidade é um bem pessoal e intransponível. Depende única e exclusivamente de cada um de nós. Todos passamos por situações difíceis, tragédias ou dramas. Uns mais outros menos, mas ninguém escapa. O que fazemos com aquilo que nos acontece é que mede o tamanho da nossa capacidade de ser feliz. Ser feliz vem de dentro pra fora, e exercitar a felicidade é uma tarefa que só pode ser realizada por uma única pessoa: eu.

É mais fácil colocar a responsabilidade pela nossa infelicidade nos outros, na situação ou no que vem de fora. Ser vítima de um contexto é uma posição confortável, mesmo que triste. Ser feliz exige trabalho, persistência e força de vontade. Exige querer ser feliz. E por mais que pareça estranho e absurdo, nem todo mundo quer. E você, já parou para pensar nisso?