Eu estava atrasada, ou quase. Estava naquele limite em que vinte segundos mais e você certamente irá se atrasar para o seu compromisso. Faltava só pegar a chave do carro. E, então, cadê a chave? Olhei nos lugares óbvios: bolsa, gavetas da sala, prateleira do quarto, bolso. Nada. Fiz o que a gente costuma fazer nessas horas: olhei tudo de novo. Bolsa, gavetas da sala, prateleira do quarto, bolso. Nem sinal da chave. Comecei, então, a procurar no submundo dos lugares por onde estive na casa. Debaixo do sofá. Atrás do armário. No lixo do banheiro. Nada. Nadica de nada.

Respirei fundo e comecei a procurar em lugares absurdos, totalmente fora dos caminhos da minha rotina.  Dentro da máquina de costura em miniatura que me avô fez pra mim quando eu era pequena. Na caixa de cartas e fotos antigas. Entre as vasilhas que eu ganhei de presente de casamento, nunca usei e provavelmente nunca vou usar. Vasculhei cantos esquecidos e exóticos. E, pimba! Estava no armarinho amarelo de remédios que fica no banheiro do corredor.

Quem é que nunca passou por isso? Perder algo e só encontrar depois de empreender a busca pelo improvável e absurdo? A conta de água perdida no armarinho da cozinha. O celular no lixo reciclável. O batom no microondas. A carteira no prato de comida… Muitas vezes, quando perdemos objetos, os encontramos em lugares que nunca imaginaríamos que pudessem estar. A nossa primeira reação ao dar falta de alguma coisa é procura-la nos lugares comuns. Mas aí você encontra a lata de Nescau dentro da geladeira.

Na vida, acontece o mesmo. Muitas vezes, para encontrar o que estamos procurando, é preciso sair da rotina, do óbvio. É preciso aventurar-se por outros caminhos. Se você não está encontrando saída para um problema, só tem a ganhar se tentar pensar de forma diferente, fazer diferente. Você nunca comeu pimenta? Coma. Nunca usou chapéu? Use. Você sempre escovou os dentes com a mão direita? Escove com a esquerda. Nunca inspirou uma decisão pelo horóscopo do dia? Faça isso. Tire seu pensamento e sua ação da zona de conforto. Não precisa promover mudanças profundas na sua vida, não precisa mudar a rotina. Basta escapar dela por um momento e buscar novas formas de pensar e agir. Você irá se surpreender. A solução pode estar aonde você não imagina. Assim como encontrar a chave de casa perdida na gaveta da cozinha.