Escrevi um livro, que depois transformamos em peça de teatro, no qual duas personagens, de 18 e 31 anos, enfrentavam uma gravidez inesperada. As duas atrizes que atuaram no espetáculo – e que não tinham filhos – ficaram realmente grávidas durante a temporada!

Há um tempo escrevi um texto sobre as minhas dificuldades com o ralador de cozinha. Ganhei um novinho, enviado por um casal de amigos leitores que se solidarizaram com a minha luta!

Pois bem, estou pensando seriamente em escrever uma história cujo personagem principal fatura o prêmio acumulado da loteria!! Quem sabe, né…

Loterias à parte, uma coisa é fato: quando acreditamos em algo verdadeiramente, as chances de se tornar realidade são enormes. Acreditar não no sentido de ficar sentado, sonhando e mentalizando, esperando que as coisas caiam do céu. Falo em Acreditar no sentido de crer realmente e seguir os passos em direção àquilo que você acredita. Fazer por onde, sem desistir ou se auto-sabotar.

Quando eu estava no último ano de faculdade de Comunicação, escolhi como meu Trabalho de Conclusão de Curso escrever uma biografia do cantor e compositor Milton Nascimento, meu conterrâneo. A minha primeira grande dificuldade foi encontrar um professor que aceitasse orientar o meu trabalho. Todos recusavam – e tentavam me dissuadir. Diziam que eu devia colocar os pés no chão e esperar ter uns anos de carreira, uns quarenta anos de idade para, então, pensar em desenvolver um projeto como aquele. Eu era apenas uma estudante, diziam.

Não desisti. Eu sabia que tinha as condições necessárias para realizar a biografia: 1) sabia escrever; 2) sabia as técnicas de apuração e pesquisa para coletar o material que me possibilitaria escrever a narrativa. Não seria um trabalho fácil, eu sabia, mas era um trabalho possível. Uma professora aceitou ser minha orientadora. Realmente, como anteviam os professores, não consegui terminar o livro para me formar. Usei apenas os três primeiros capítulos e concluí o curso. Mas continuei.

Eu não tinha patrão para me cobrar, não tinha um prazo para terminar, não recebia um salario nem qualquer tipo de pagamento por aquilo, mas, em quatro anos, coloquei um ponto final em “Travessia – a vida de Milton Nascimento”, publicada pela editora Record e, hoje, em sua quinta edição. O livro me abriu portas, tornou-se meu cartão de visitas e me levou por caminhos profissionais e pessoais que eu nunca havia sequer imaginado.  Mas, mais do que isso, comprovou na prática aquilo que eu supunha quando era apenas uma estudante: se existem condições para realizar, tudo é possível.

Nós, seres humanos, temos todas as condições para criar coisas incríveis, para fazer acontecer e para sermos felizes. Não precisa ser algo grandioso, não precisa trazer fama, não precisa ser um feito para orgulhar aos outros – nem deve. Somos perfeitamente capazes de orgulhar a nós mesmos, fazendo dos nossos sonhos particulares um cotidiano possível. Precisamos apenas acreditar, buscar ajuda e inspiração quando nos sentirmos perdidos, e colocar a mão na massa. O resultado, mesmo que demore – e pode demorar – mostrará que valeu à pena e que você é realmente capaz.

Hoje, muitas vezes na correria do dia a dia e diante das dificuldades, que são muitas, eu desanimo e acho que não vou conseguir. Então, envergonhada eu lembro da estudante que fui, dos anos dedicados ao livro sem nenhuma razão a não ser realizar algo em que eu acreditava… Respiro fundo, sacudo a poeira, busco um novo caminho e sigo em frente, grata por ser humana e ter as condições para realizar o possível e, muitas vezes, até o que antes parecia ser impossível.