Jon Bon Jovi faz hoje 50 anos e merece os nossos parabéns. Ame ou odeie os sucessos pegajosos do Bon Jovi, não dá para negar que Jon é um sobrevivente do rock. Enquanto seus colegas perderam a validade ainda nos anos 80 e hoje vivem de pequenos shows à base de coletâneas, o grupo de Nova Jersey – que tanto ecoou nas rádios brasileiras nos anos 90 – continua tomando os primeiros lugares das paradas mundiais a cada novo lançamento, embalados por megaturnês que, em números, só rivalizam com Rolling Stones e U2.

Estive perto de Jon três vezes. A primeira, na coletiva de imprensa que a banda concedeu na turnê The Circle, em outubro de 2010, em São Paulo. O que se percebe logo de cara é que ele é um profissional do showbusiness: sorri na hora certa, esquiva-se de questões que não está a fim de responder e sempre mantém aquele ar de “estou aqui, mas não muito”. Quando fiz uma longa pergunta sobre o set-list daquela noite, o vocalista se limitou a dizer: “Não tenho ideia do que vamos tocar hoje”. E devolveu: “Alguma ideia?”. Quando os jornalistas – incluindo este – começaram a sugerir canções em polvorosa, ele passou para a próxima pergunta. Sorrindo, é claro.

Depois, no show propriamente dito, o que se via no palco era quase outra pessoa. Como descrevi na reportagem que fiz para o Estadão na época, Jon é daqueles artistas que parecem sempre saber quando é a hora de dar o seu melhor (de preferência, quando há muitas câmeras por perto). Tocou por duas horas e meia e não deixou nada de fora – das baladas que foram temas de novelas às mais recentes, pedidas pelos novos fãs. Aquele ar blasé que o cantor passa longe dos holofotes fica no camarim. Ponto para ele.

A última vez que vi o Bon Jovi foi na terra deles, em Nova York, com um pocket show aberto para a TV. O que mais me impressionou foi vê-los fazendo passagem de som às 7h, em uma manhã de frio cortante que intimidava até a enorme multidão que se amontoava para assisti-los no meio da semana em Manhattan. Você não imagina Bono e Mick Jagger passando Beautiful Day ou Satisfaction para um showzinho gratuito, mas lá estava Jon Bon Jovi com óculos escuros e cara de sono, cantando You Give Love a Bad Name pela enésima vez com seus técnicos de som, a poucos metros dos fãs – que iam de adolescentes imberbes a senhoras de meia idade. Quando entrou no ar, esbanjava animação e acabou estendendo a apresentação para além do previsto.

Jon é um profissional que vale o show. Sempre asséptico e um tanto previsível para quem acompanha a carreira, mas que entrega o que se espera, sem atrasos ou deslizes. Se você tiver uma oportunidade de assistir a uma apresentação do Bon Jovi, não pense duas vezes: deixe o preconceito com o rock farofa e suas inúmeras baladas de lado e divirta-se. Como um cara que segue os scripts à risca, ele muito provavelmente não deve te decepcionar.

E se quiser uma música para dançar, sugiro esta aqui: