Há um ano, um editor do Daily Mirror tuitava que Amy Winehouse estava morta. Li aquele tweet algumas vezes e decidi que não iria acreditar – afinal, quem estava dizendo era um tabloide sensacionalista que já havia matado a cantora outras vezes. E Amy já havia sobrevivido demais para morrer assim, do nada, sozinha em casa, como o jornalista dizia. Pois é, mas o Daily Mirror estava certo.

Muito já foi dito sobre o talento, os vícios e a falta de sorte dessa artista que, com apenas um par de álbuns irretocáveis, eternizou-se ao lado dos maiores nomes da música. Mas além do óbvio talento vocal, Amy merece ser lembrada pela forma com que transformava suas tragédias pessoais em hits. Sempre teremos boas vozes, mas faz falta uma compositora sem censura em dias do enfadonho politicamente correto.

Amy cantava sobre amores que não resistiam ao amanhecer, porres sem fim, drogas e mais drogas, desilusões deixadas por aí. Nos poupou do “desculpe, vou achar alguém como você, não me esqueça, por favor” que volta e meia domina as paradas, feito sob medida para conquistar da criança ao avô.

Sem medo de ser honesta, ela viu milhões cantando seus fracassos, suas derrotas, seus pequenos infernos. Às vezes era fotografada chorando, às vezes sorrindo. Não se mantinha no pedestal de popstar, queria mostrar que era gente como nós.

E assim Amy, chorava, bebia, ia até o fundo – e voltava. No fim, não voltou. E nós perdemos a cantora mais honesta de muitas gerações. Um brinde à ela hoje.