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Back to Black (2006) é um caso raro na música. Assim como Thriller (1982), de Michael Jackson, ou 21 (2001), de Adele, todas as suas faixas poderiam ser lançadas como single: provavelmente, todas alcançariam sucesso. É o sonho de qualquer gravadora. A obra-prima de Amy Winehouse, que completa hoje exatos 10 anos de lançamento, levou a cantora a um patamar que pouquíssimos artistas chegaram. Foi com esse disco que ela atingiu um sucesso comercial estrondoso – o que não conseguiu com seu primeiro, Frank (2003) – e conquistou o respeito da crítica.

Quem diria que aquele punhado de canções sobre decepções amorosas, porres intermináveis e deliciosas confusões lhe renderia cinco Grammys e 20 milhões de cópias vendidas? Amy, certamente, não previra tanto. O toque de midas do produtor Mark Ronson, aliado a Salaam Remi, foi fundamental para fazer aquela mistura de R&B, soul, jazz e blues virar ouro. Sob qualquer ótica, Back to Black é um dos grandes discos do século XXI, se não o maior. Sua sonoridade única influenciou uma geração de cantoras que viria a seguir – incluindo Adele, que hoje, de alguma forma, ocupa a lacuna que Amy deixou.

Se Back to Black alçou a artista ao panteão dos grandes, o álbum, porém, acabou se transformando em um fardo pesado de carregar. Aquelas músicas foram escritas durante o término do relacionamento com seu ex-assistente de vídeo, Blake Fielder-Civil, em 2005. Amy dizia que cada vez que subia ao palco para cantá-las, todas as suas desilusões voltavam à tona. Por isso, em 2010, um ano antes de sua morte, ela já não queria mais cantar as canções antigas e sim gravar um disco novo, como dizia em diversas entrevistas à época. A roda da indústria, porém, precisava continuava girando. Como o álbum ainda vendia bem e havia uma demanda insaciável do público, mais e mais shows eram marcados. E a saúde da estrela se deteriorava a olhos vistos.

Por fim, Back to Black se tornou o testamento musical de Amy. Como poucos, ela conseguiu transformar suas tragédias pessoais no segundo disco mais vendido do século XXI. Com ele, nós rimos, choramos, ouvimos até cansar… E continuamos ouvindo. Com Back to Black, Amy continua viva.

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