Casa bagunçada

Uma japonesa que é considerada a “guru” da arrumação acabou de ter bebê. Marie Kondo, 30, já vendeu 2 milhões de exemplares do livro “A Mágica da Arrumação” em todo o mundo e prega, entre outras coisas, a arte de ter uma casa organizada. O segredo seria viver apenas com o que é necessário, sem excessos. Segundo ela, desentulhar a casa é um exercício que pode ser feito por todos: olhando aquela prateleira bagunçada, objeto por objeto, faça a pergunta: “Isso me traz alegria?” Você só deve continuar com algo se a resposta for “sim”.

A grande sacada de um caderno do jornal australiano Sydney Morning Herald foi entrevistar Kondo para saber como pretende manter a ordem e a organização em meio ao caos chamado ma-ter-ni-da-de. A japonesa se mostrou confiante e disse que sua casa em Tóquio permanecerá tão limpa e organizada como antes da chegada da bebê, nascida há um mês. O segredo? Ela diz que não vai acumular mais coisas do que o quarto da filha comporta. E que quando a menina completar três anos começará a ensiná-la a dobrar as próprias roupas. Simples(?) assim.

A escritora e organizadora Marie Kondo. Foto: Site oficial

A escritora e organizadora Marie Kondo. Foto: Site oficial

Spoiler: Não vai rolar, Marie Kondo. Claro que quando aquela revista chiquérrima de decoração for fotografar sua casa tudo estará impecavelmente limpo e organizado. Mas o que só eu, você e todas as outras mães do mundo sabemos é que você passou a noite anterior caçando playmobil, cabeças de boneca, pés de meia/chinelo, giz de cera, pecinhas de jogos de montar e de quebra-cabeças atrás de almofadas, no meio do sofá, debaixo do tapete e ainda terá caprichado na esponja com detergente nas paredes para limpar aquele rabisco feito pela sua filha horas antes de o fotógrafo chegar. (Ela também passou a mão suja de papinha na parede, mas você ainda não viu). Brinquedos e roupas de criança têm pernas, asas, turbinas acopladas. Eles sempre estão longe do lugar onde (você acredita que) deveriam estar. Quer saber? Que bom.

A felicidade das pessoas de uma casa é diretamente proporcional à bagunça encontrada nela. Casas arrumadinhas demais não têm vida, não tem alma. Parece que ninguém mora ali, que nenhuma história importante está sendo vivida nela. Sofá sem mancha parece que não foi usado. Tapete impecavelmente limpo dá a impressão de casa vazia, que não recebe visitas. Sem falar que a busca pela casa perfeita, principalmente depois do nascimento das crianças, é insana, cansativa. Surreal.

Voltei à técnica de Marie Kondo para analisar a minha casa. Vi carrinhos espalhados. Marca de bola na parede (!?) Dvds, controles de vídeo game jogados pelo sofá e um pé de meia que jaz, solitário, no tapete da sala. “Isso me traz alegria?”, perguntei. Muita. Cada dia mais e mais.

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