FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Foto: Werther Santana/ESTADÃO

Bruno engravidou Elisa. Como muitos homens, fugiu à responsabilidade. Não queria saber do filho, não queria pagar pensão alimentícia e ainda por cima acusava a mãe do menino de querer seus “15 minutos de fama” quando o procurava para que assumisse sua obrigação de genitor. Bruno não só abriu mão do seu papel de pai como ainda garantiu que o filho ficasse também sem a mãe, que foi atraída para uma emboscada e assassinada quando o menino tinha apenas quatro meses de idade, em 2010. Preso e condenado a 22 anos e três meses de reclusão por homicídio qualificado (17 anos e seis meses deveriam ser cumpridos em regime fechado) foi solto no dia 24 de fevereiro por decisão do ministro Marco Aurélio Mello, porque não teve seu recurso julgado pela justiça desde então.

Bruno saiu de cabeça erguida, de mãos dadas com a nova esposa (essa mulher não tem medo de ser a próxima vítima, não?) e disse em uma entrevista à TV Record que, olha só, vai pedir a guarda do filho que teve com Elisa, criança cuja existência rejeitou desde o início e para quem se recusava a pagar pensão alimentícia, a origem de todo o imbróglio que culminou com o assassinato.

Se não bastasse essa sequência de absurdos, Bruno deu uma coletiva na sede do clube que o contratou como goleiro, o Boa Esporte Clube de Varginha, Minas Gerais, e se recusou a responder às questões dos repórteres que não fossem relacionadas ao futebol. Graças a essa regra imposta pelo assassino confesso da mãe de seu filho, não podemos saber se Bruno, agora empregado, finalmente vai pagar a pensão do filho de sete anos que mora com a avó materna. Essa mulher, mãe de Elisa, também tem algumas questões que nunca foram respondidas pelo goleiro: onde está o corpo da filha, que até hoje não teve um enterro digno? Jamais saberemos, Bruno agora só quer falar de futebol. E quando o filho, Bruninho, perguntar ao pai: ‘é verdade que você matou minha mãe porque não queria que eu nascesse, papai?’ Esqueça, guri, o papai agora só quer falar de futebol, o que passou, passou, ou melhor, ainda não passou não, porque o advogado de Bruno afirmou no início do mês que vai pedir um exame de DNA para confirmar se Bruninho, que já foi reconhecido pela justiça como filho do goleiro, é mesmo filho biológico do jogador. O papai falou carinhosamente do filho em frente às câmeras mas dúvidas sobre o caráter de Elisa, que não está mais aqui para se defender, sempre são jogadas no ar, de tempos em tempos.

A rapidez com que Bruno encontrou trabalho é assustadora. Homens e mulheres com curriculums invejáveis e cheios de conta para pagar não conseguem sequer serem chamados para a uma entrevista de emprego. Talvez falte um homicídio no meu curriculum, desabafou um pai desempregado no meu Facebook. O “Boa” se defendeu e disse que ao contratar um ex-detento está cumprindo com sua “obrigação social”, mas vários patrocinadores não concordam e retiraram o apoio ao time porque, claro, não querem relacionar suas marcas a um assassino confesso. Bruno pode voltar à prisão a qualquer momento mas, até lá, terá a chance de voltar a ser ídolo de crianças e adolescentes que amam o futebol  e que vão entender que sim, o crime compensa, matar uma mulher não deve ser tão grave assim, olha só o gol que ele defendeu! Que craque! Goleirão!

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