Sam Golob

Foto: Sam Golob

“Bebês sabem nascer, mulheres sabem parir”. Foi com essa frase que uma amiga comemorou, na manhã de hoje, o nascimento do segundo filho em sua timeline no Facebook. Ela deu à luz Lucas de parto normal, como gostaria que tivesse sido o nascimento da primeira filha, Ana, há dois anos. Bruna (esse é o nome da minha amiga) caiu, no final da gestação da mais velha, naquela espiral de medo e desinformação que a maioria das mulheres que são mães sabem como funciona. Elas ouvem que não têm dilatação, que são estreitas, que estão “colocando o filho em risco” por querer esperar o trabalho de parto começar, que serão as responsáveis “se algo de errado acontecer” e, bingo, sucubem e decidem marcar a cesárea. Mas são elas que escolhem, entendeu?

Quando Bruna engravidou pela segunda vez estava muito mais esperta. Começou o pré-natal ouvindo “uma vez cesárea, sempre cesárea”. Mas não se abateu e começou acreditar no seu corpo mais do que antes. Entrou em grupos de mães, informou-se, procurou uma equipe de parto humanizado e Lucas nasceu saudável, 4kg, e ela, minutos após o parto, já estava sentada, bem-disposta e amamentando seu bebê.

Com a jornalista e apresentadora da TV Globo, Mariana Ferrão, a conversa foi a mesma. Em seu Instagram ela relatou o quanto duvidaram que ela poderia dar à luz seu segundo filho, João, de parto normal já que o mais velho, Miguel, tinha nascido em uma cesárea. “Perdi a conta de quantas vezes me disseram que eu não poderia ter um parto normal. (…) Quanta gente falando a mesma coisa, quantos médicos que foram ao programa e me disseram a mesma coisa!”
Mariana Ferrão

 

Mariana Ferrão 2

 

Mariana fez o mesmo que Bruna. Não comprou esse barulho, procurou uma equipe humanizada, preparou-se e conseguiu dar à luz seu segundo filho de parto normal, no final de fevereiro.

“Por que eu queria tanto um parto normal? Pra viver a experiência, para o João poder escolher a hora de vir ao mundo, pra estar mais pronto para essa dura experiência da vida, pra ter uma recuperação mais rápida e poder amamentar sem sentir dor no corte, pra me sentir forte, pra poder pegar o Miguel no colo logo, pra entender o poder transformador do parto, pra entrar em contato com algo primitivo, feminino, pra vencer a dor, pra conhecer a dor, pra descobrir o meu corpo, os meus limites, pra experimentar, pra ter uma lembrança diferente da primeira, pra o meu corte da cesárea não abrir de novo, pra eu sentir menos dor no pós-parto, pra poder dizer que consegui, pra ser lindo como foi!”, contou em seu Instagram, encantada.

Mas há riscos de um parto normal após uma cesárea? Segundo a Obstetra Melania Amorim, Professora de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Campina Grande, em seu ótimo blog “Estuda Melania Estuda”, a literatura médica aponta que o risco de uma ruptura do útero em um parto normal em mulheres com uma cesárea prévia é de 0,3 a 0,9%. O de uma histerectomia (retirada do útero após complicação) é de 0,6% e o de uma transfusão de sangue pós-parto é de 3,2%. Na mesma publicação da Dra Melania descobrimos que o risco de um bebê morrer em uma cesárea é 2,5 vezes maior do que morrer em um parto normal.  Bruna e Mariana fizeram a conta. Escutaram o coração. Não aceitaram ouvir que não podiam, que não eram capazes, que não conseguiriam. Bebês sabem nascer e essas mulheres porretas têm mostrado que sim, sabem parir.

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