Chega um momento da vida no qual você percebe que não agrada a todos. Talvez, em um passado não muito distante, isso lhe causasse certo desconforto e angústia. Mas agora, é apenas um fato da vida e, cá entre nós, pode ser bem libertador.

Conformar-se com o fato de que ninguém é unânime é uma grande lição. Na hora em que você entende isso, muita coisa fica mais leve. Não que a busca por agradar todo mundo seja algo que faz parte da vida de todos, sabemos. Há pessoas que simplesmente não se importam. Vivem suas vidas, fazem suas escolhas e nem olham para o lado. Mas existe um monte de gente por aí que foi criada valorizando a alteridade, pensando no bem comum. Gente que aprende, desde pequeno, que é importante se colocar no lugar do outro, ponderar as vontades, fazer gentilezas, entender os conflitos sem ser pela ótica própria, etc. Para essas pessoas é difícil frustrar os outros. E é disso que estamos falando.

É realmente de grande valor sair de si. Cada vez que uma pessoa dá passagem no trânsito, cobre alguém no trabalho, faz um favor importante ou sai correndo para socorrer uma amiga, a humanidade cresce. Cresce mesmo. Isso não é bobagem, existem teorias que dizem MESMO, que fazer o bem para o OUTRO traz benefícios à saúde (própria e do outro). Daí a querer agradar todo mundo-o-tempo-todo-e-sempre não é saudável e não faz de ninguém mais nobre. Porque, em essência ,acaba não sendo para outro – senão para você mesmo. Saber abrir mão desse lugar de ser a(o) querida (o) por todos, a (o) mais generosa (o), a (o) que se sacrifica em prol do bem do grupo, é também uma sabedoria. Não porque o mundo seja cruel e as pessoas sejam egoístas – isso também – mas porque nada do que você fizer será suficientemente bom para todo mundo sempre. E entender isso, de maneira madura, é também uma escolha inteligente.

Como alcançar esse equilíbrio? Acredito que esse é um dos grandes desafios que temos pela frente. Saber se colocar, sem ser desrespeitoso. Combinar as coisas direito. A maioria dos conflitos que encaramos no dia a dia é por falta de combinado. Muitas vezes não deixamos claro quais são as nossas expectativas porque apostamos no bom senso alheio – que é muito raro – e nos frustramos. O contrário também acontece. Em diversas situações frustramos alguém simplesmente porque não escolhermos a melhor maneira de comunicar. Não é fácil. As vezes é necessário aguentar o “bico” que a pessoa faz. Para quem gosta de agradar, poucas coisas são tão difíceis como se impor e ter que aguentar um olhar de desaprovação. Mas faz parte. Nada como deitar a cabeça no travesseiro sabendo que você se respeitou, sem desrespeitar o outro.

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