Os ânimos estão muito acirrados nesse momento. Famílias brigando, amigos rompendo laços. Vale mesmo a pena, gente? Cortar relações com pessoas supostamente queridas porque elas pensam diferente de você? Vale a pena ir até a timeline de alguém de quem você gosta, e travar uma briga com os amigos dela porque você não consegue se conter na sua própria agressividade?

Ás vezes é bom segurar um pouco a onda. A vida é maior do que isso. Pode mudar o executivo, o legislativo e o judiciário. No fim, as pessoas do seu círculo afetivo são as mesmas. E é preciso saber disso. Se você ficar deprimido, não é nenhum político que vai lá te dar uma força, mas,  bom, você sabe quem.

É muito bom saber que estamos todos cheios de emoções e nos manifestando. Não é esse, exatamente,  o problema. O lance que pode ser meio perigoso é o sentimento catártico coletivo que leva à  agressividade contra pessoas que fazem parte da sua vida e que não têm nadinha a ver com a corrupção ou com os rumos do País. Não adianta deixar de ir na bacalhoada da avó e nem perder a paciência com o tio porque o pessoal insiste em dividir o país em fla-flu. Está faltando um pouco de leveza nas conversas. Um pouco de banalidade. De papo furado. Tem horas que a gente quer ver o Obama dançando tango. E receber piadinhas engraçadas. Tem horas que é bom esquecer um pouco a razão da sujeirada e sair com seu namorado para tomar um sorvete, curtir o comecinho do outono sem entrar em uma briga homérica com seu primo distante — que você vê uma vez por ano. Tem horas em que é bom sentar para curtir uma seriezinha, fazer um esporte e não achar que o País vai desabar nos próximos 15 minutos.

Esta semana recebi em casa dois casais de amigos. Surpreendentemente, não falamos de política. Rolou, claro, uma resmungação geral, reclamando do preço do supermercado e de planos que, por conta da crise, foram adiados.  Mas não teve xingamentos nem polarizações. Não teve papo bravo, enfim.  A cerveja estava gelada, a comida estava boa, o papo engraçado e a afilhada trazendo graça para o ambiente. Não teve nada demais e não nos sentimos pequenos e nem tão grandes assim. Ninguém achou que alguém era alienado porque não estava falando sobre a Lava-jato ou porque estava preocupado com os ovos de Páscoa dos filhos. A vida segue, enfim.

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