É sempre a mesma história. Você propõe para ele assistir a um filminho em casa. Estão os os dois cansados, a semana – como quase todas – foi difícil, então nem vale a pena sair. A felicidade está escrita na sua testa com a combinação: cozinhar uma massa + vinho + filminho com o namorado. Ele topa. Não porque ama assistir filmes sexta-feira à noite, mas porque gosta de te ver feliz ao topar essa combinação. Namorados, diversas vezes, deixam para nós – porque somos muito felizes nessa função – escolher o filminho. E, nem sempre retribuímos essa generosidade, não é? Às vezes, a escolha é feita de forma extremamente egoísta. Não que optemos por comédias românticas, porque daí é demais. Mas, às vezes, queremos ver aquele filme que o avô indicou no almoço de Páscoa, aquele meio cabeçudo que lemos a crítica em um fanzine mega específico de teatro, ou um boboca só para distrair. Enfim, eles topam.

Então, caros leitores, acontece um fenômeno muito forte – e é importante enfatizar a força que ele tem, porque é mais forte do que a gente. Trata-se do sono durante o filme. Você chegou em casa, fez a massa, tomou duas tacinhas de vinho, se aninhou no namorado, vocês ligaram a TV,  fuçaram as possibilidades, discutiram sobre o filme, você argumentou, ele concordou, e play. Trailer, 5 minutos, 10 minutos e … “abraço”. Morfeu te leva. Olha, é importante dizer: o sono não tem NADA a ver com a qualidade do filme. Pode ser o filme mais legal, o mais chato, o mais emocionante. Quando cansaço vem, não tem Ryan Gosling, Coppola, Woody Allen ou comédia argentina que segure…

É lógico que você não queria e não planejou dormir, mas foi beeeeem mais forte do que você. E aí seu namorado (não é só o meu, tá? Fiz uma pesquisa com amigas próximas e notei que esse comportamento se repete em diversos casais) fica incomodado. Quer dizer: você que estava desde às seis da tarde animando ele – mandando toneladas de WhatsApp – para o filminho da noite, que falou que não tinha nada a ver ele fazer um happy hour com os amigos, que se deu o trabalho de convecê-lo a assistir ao filme que você queria… daí você, com todo esse trabalho, capota nos primeiros 15 minutos? Como, né? Ele, assustado com a sua incoerência, dá uma conferida: “tá dormindo?”. Você – que até então só estava pescando – diz “imagina” e tenta manter o olhão aberto. Mas, na terceira vez, ele dá uma chacoalhada e você nem tchum. Foi-se antes da primeira curva dramática do roteiro.

A verdade é que sono do filminho é forte mesmo e delicioso. Ninguém paga dez reais, na TV,  em um filme do Oscar – que você ficou com preguiça de ver no cinema por conta das filas – e dorme por pura vontade. Entretanto, é importante dizer: esse sono é sagrado, bom e deve ser respeitado. Há poucas coisas no mundo mais prazeirosas do que uma sonequinha em frente à TV,  depois de um jantarzinho e um vinhozinho, com o namorado fazendo um carinho no seu pé. Alô gente, não é bom demais? Por que devemos resistir a um momento de lazer como esse? Mesmo se repetindo várias vezes, quase toda sexta, insistimos no mesmo ritual. E, se você tiver a sorte de ter um namorado compreensivo, ele vai esbravejar, depois vai achar graça, vai querer escolher os filmes – “porque você vai dormir de qualquer jeito” – e não vai achar ruim de te contar, no dia seguinte, as partes do filme que você perdeu. Para repetir tudo na semana que vem…

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