É primo brigando com primo. Gente agrendindo A, B, C e D nas redes sociais. Notícias pavorosas. Fora um. Fora dois. Um show de horror. Aquele colunista que você gosta e acompanha perde a mão e destila agressividade. Não há nenhuma voz que te represente. Gente tirando sarro de repórter. Quebradeira perto da sua casa. Donald Trump espalhando fake news. Vazio completo no mundo virtual. Você quer juntar os amigos, mas fica insegura que conservador e o progressista podem acabar o jantar trocando ofensas. Esse é mais ou menos o cenário atual.

Quando estamos nessa toada também, ok. Afinal de contas, está tudo dominado pela violência, pela intolerância e você também pode ter lá seu dia mais impaciente. Já não quer ouvir aquele cara que fala abobrinhas, tem preguiça COMPLETA para os discursos que não são da sua bolha… Quando é assim, até que orna com o mundo atual. O problema é quando está todo mundo está nessa vibração e você não. Como proceder? Se está todo mundo se agredindo, procurando vozes que inflem seu próprio discurso e você está em uma onda mais pacifista, mais a fim de diálogo, de trocas, de complexidade? Resumindo a reflexão: como se colocar, consumir notícias, compartilhar, se posicionar quando está tudo tão superficial e fundamentalista?

Nem todo mundo acorda todos os dias querendo entrar em um ringue de MMA. Tem horas que tudo que você quer é comprar frutas frescas no mercado, tratar bem as pessoas na rua, ser bem tratada de volta e caminhar para sua casa sem sentir uma raiva imensa do mundo.

Nem todo mundo está disposto a sentar em uma mesa e tentar convencer os outros, o tempo todo,  que a sua visão de mundo é a melhor, que suas escolhas políticas são as corretas e que “ou tá comigo ou tá sozinho”. Tem horas que você não quer MESMO receber vídeos destilando ódio – a quem quer que seja.

Às vezes a gente só quer poder conversar com gente inteligente, que some para reflexão, mesmo que essa pessoa tenha opiniões diferentes. Às vezes a gente quer ver o ângulo menos óbvio, escapar dos esteriótipos, dormir sem sentir raiva ou desesperança. Sem querer anular a opinião do outro. Às vezes a gente não quer nem isso.  A gente quer ouvir música, rir com os amigos e lembrar que a vida também é feita dos afetos, da família, de bobagens divertidas. A vida também é feia de coisas menos densas e mais singelas.

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