O caminho do meio. O tom de cinza. O não radicalismo. Vemos que tudo isso está em baixa atualmente. O mundo está tão insano que, cotidianamente, estamos fazendo escolhas entre “um lado” e “outro”, quando nem sempre – para não dizer quase nunca – estamos de acordo 100% com essa escolha.

Explico. Desde que me tornei mãe, no meio do ano, vejo o fenômeno das redes sociais invadirem os grupos, as conversas, as opções da maternidade. Ou bem você é uma mãe que tem todo o pacote humanizado ou bem você é uma mãe que rechaça qualquer iniciativa dessa linha. E se você quiser  experimentar um pouco de cada coisa para achar um equilíbrio que funcione para você e seu bebê? Vamos dizer que você frequente um pediatra alopata, mas queira fazer um tratamento de homeopatia…  Não pode? Ou, talvez, queira tentar um tipo de introdução alimentar, mas sem dogmatismo… seria isso permitido no grande tribunal das redes sociais?

No mundo polarizado que estamos parece que não tem espaço para a tentativa, para o meio termo. Se tem uma mãe que não faz livre demanda, muitas a julgam como se ela fosse pouco disponível ou menos engajada na amamentação. O contrário também acontece: mães são julgadas, todos os dias,  por amamentarem em livre demanda, quando e onde lhes convém. Parece opção política. No entanto, as pessoas esquecem que ali no meio tem um bebê, uma mãe recém nascida e uma família em constante transformação. Não é saudável sentir-se presa em uma doutrina. Uma das grandes graças da vida – e da maternidade em especial – é poder experimentar. Tentar. Errar. Tentar de novo.  Ser livre. Uma pessoa que tolhe o outro ( ou a outra mãe ) de sua liberdade só contribui para o radicalismo e para a separação de pessoas.

A maternidade já traz em si uma culpa. Se, além de você mesma e todos os seus fantasmas,  você sentir que ainda tem que ficar dando satisfação das suas opções por aí tudo fica mais pesado.

Aqui é necessário fazer um parênteses: poucas vezes me senti tão acolhida por outras mulheres quanto no puerpério. Pessoas que não tenho intimidade, amigas distantes, mãe, irmã, sogra, cunhada, vizinhas. Muitas demonstrando carinho de verdade, com dilúvios de palavras confortantes, querendo saber, se oferecendo, compreendendo.

Por isso, fica essa mensagem final. Não importa em qual pólo você está. Seja carinhosa com uma mãe recém nascida. Exercite sua empatia. Acredite: isso faz um bem danado para você, para ela e contribui para uma sociedade menos radicalizada.

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