No mundo do “isso não é problema meu” a vida parece não ter responsável e as relações parecem estar cheia de “mimadiuns”. Sim, os mimados. Eles não querem nada. Não querem ter compromisso, não querem ter horário, não querem ter que se comprometer com nada porque, afinal de contas, nada é maior do que eles mesmos e suas vontades e necessidades.

No mundo do “isso não é problema meu” é cada um com seu cada um, cada um olhando para seu umbigo. Cada um achando que tem mais direitos, que tem mais dores, que seus privilégios não são privilégios. Eles não cedem seus lugares aos mais necessitados,  chamam o sênior de “velho”, falam que a outra mulher “é gorda” e não defendem seus colegas quando são humilhados. O que eles não sabem? Que o mundo dá voltas. E que se o caos está tomando conta das ruas, que se a violência cresce, que se as pessoas estão cada vez mais doentes é porque, sim, o problema é deles também. Todos nós temos responsabilidades diárias no bem-estar de quem está a nossa volta, no mínimo.

Sempre achei engraçado observar como essas pessoas se comportam. Acham que as bolhas em que vivem são eternas, que uma meditaçãozinha ou um “detox” resolve o estresse, que ler sobre “empatia” – sem praticá-la de fato – é lindo e que estão imunes ao resto do mundo.  A coisa mais maluca que tem é ver uma pessoa mimada falando sobre empatia. Já viram? É uma cegueira tão absurda que chega a dar preguiça até de ser generoso e dizer: “desculpa, mas você nunca experimentou isso. Nunca se colocou no lugar do outro, jamais fez algo que não fosse em benefício próprio, então, por favor, não banalize um termo tão sagrado e necessário”. A gente acaba nem perdendo tempo. Porque, logo na sequência, já vem mais um “Isso não é problema meu”. Aí nem vale a pena mesmo.

Acontece que ninguém aguenta conviver só com gente assim. Uma hora a coisa transborda, porque quando os mimadiuns mandam o clássico “isso não é problema meu” é porque esse problema vai cair no colo de outras pessoas.  E ninguém  – por mais altruísta que seja – quer resolver todos os problemas do mundo, do trabalho, da família, dos amigos.  A gente precisa de troca, de cuidado, de confiança. A gente precisa poder pedir ajuda e saber que vai ser ajudado. A gente quer que as nossas relações sejam mais profundas e que tenham significado. A gente necessita saber que o peso não está só na gente. Isso é pensar sobre empatia. Sair de si e vestir o sapato do outro.

O que salva? Saber que, apesar deles, existem pessoas por aí que também conhecem o curso cíclico da vida. Entendem que somos todos responsáveis e que é necessário reconhecer também o outro.    

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