Todo respeito às bravas mulheres e amigas que estão aí na militância feminista nessa semana.  Eu mesma cedi o espaço do blog a outra mulher,  Manoela Gonçalves, para dar seu testemunho.  No entanto, amigas, de tudo que li sobre esse assunto  —  suas concordâncias e divergências — cheguei à conclusão de que há muito mais a ser dito. Algumas mulheres falaram sobre questões de peso e que interessam a todas nós, como a aprovação do projeto de lei 5.069 de Eduardo Cunha, legalização do aborto e violência contra a mulher. Outras preferiram falar sobre posições de liderança no mercado de trabalho. E houve outras que preferiram tratar de questões autorreferentes e se desviaram de questões sérias que envolvem opressão e machismo de verdade. Mas a vida é assim. Na maioria das vezes não concordamos com tudo. E isso é saudável se feito de maneira respeitosa.

Nessa seara menos grave e mais filosófica sobre o machismo, uma questão que fugiu à discussão e que não foi apontado por nenhuma das colegas (se foi, desculpem, mas não notei em nenhum dos textos que li) é o machismo praticado pelas próprias mulheres. Talvez nesse coro gritando por uma só causa e — muitas vezes –apontando o dedo para eles, os homens, nos esquecemos de dar uma olhadinha para os nossos umbigos e reparar que muitas vezes reproduzimos o discurso machista mais cruel. É muito comum ver por aí mulheres que batem no peito e se dizem feministas, mas que traem as amigas em competições perversas pela atenção de homens. Mulheres que chamam umas às outras de vagabundas, fúteis, gordas. Que julgam as outras pela maneira como elas se relacionam com os chefes, com os maridos, com o trabalho. Que passam horas a fio criticando de forma violenta a escolha do parto que a amiga fez, o jeito como a outra gasta seu dinheiro, a amiga que optou por deixar de trabalhar. A que trabalha e deixa os filhos com a babá. A que não tem babá e que não se cuida. Mulheres que não pensam duas vezes antes de destruir a autoestima de uma semelhante. E convenhamos que é uma atitude bem machista tentar destruir a autoestima de uma mulher. Está na hora de parar com isso. Senão nada vai para frente.

Lendo os diversos relatos e artigos reivindicando posições de poder para mulheres, me lembrei de uma situação que aconteceu na semana passada. Uma amiga minha foi demitida por sua chefe, mulher, sob a alegação de que a chefe-mór – também mulher – achava que ela não se vestia bem. Não houve conversa, não houve orientação, não houve um toque amigo do tipo “vem mais empetecada trabalhar que a chefe valoriza isso”.  Não houve sequer uma crítica ao seu trabalho de fato. O que aconteceu foi um tchau e benção por uma questão meramente estética.  Me ajudem: é  machismo? Será que um homem passaria pela mesma situação? Ou se fosse um chefe homem que demitisse uma mulher pela roupa que ela usa seria machismo? Esse é um dos exemplo que muitas vezes são deixados de lado nas discussões lotadas de citações da Sheryl Sandberg.

Por isso, acho que não adianta só os homens cederem seus espaços se as mulheres, entre elas, não repensarem suas invejas, relações e continuarem a reproduzir esse tipo de comportamento. Se as mulheres continuarem julgando outras mulheres que fizeram aborto. Se as mulheres – que ocupam posições de liderança e se apropriam do discurso feminista – continuarem contratando apenas homens, seguindo o status quo das empresas sem creche e sem paridade salarial. Não adianta ocupar os espaços dos homens e não praticar ética com as colegas. Tampouco adianta reclamar por espaço e menosprezar características lindas do nosso feminino como a inteligência emocional e a capacidade de compreender e dialogar.  Nós sabemos fazer isso melhor do que ninguém e isso é bom, é bonito e é necessário.