Domingão, pós-temporal, antes de me afogar na 4.ª temporada de House Of Cards, olho para a tela de computador e me pergunto:  “o que falar dessa mulherada maravilhosa, na ‘nossa’ semana internacional da mulher?” Sim. Falar bem. Porque falar mal, já tem muita gente que fala todos os dias. Pensei em relatar a história maravilhosa que minha amiga – e best repórter internacional –  Adriana Carranca me contou sobre uma mulher que fundou uma cooperativa de táxis no Irã para recuperar seus filhos depois do divórcio. Depois pensei que poderia falar das líderes comunitárias que já conheci nas minhas andanças como repórter. Ou eu podia falar da Marieta Severo, Miriam Makeba, Lena Dunham, Angela Davis.

São tantas histórias inspiradoras, tantos casos, meninas e mulheres que estão aí, dia a dia tomando seus lugares nesse mundão. E nós, como mulheres, não “enchemos a bola” das colegas do jeito que deveríamos. Todos os dias vejo mulheres falando muito em sororidade, desde que as mulheres sejam da sua panela. Que pensem exatamente como você. Acredito ser preciso sair um pouco da panela e olharmos para outras mulheres com mais compaixão. Ora, temos “Colcha de retalhos”, temos “O sagrado feminino”, temos “Mulheres que Correm com Lobos” e ainda, muitas de nós perdem o tempo julgando publicamente, no Facebook,  o tipo de parto que a amiga escolheu fazer.

Vamos aproveitar essa Semana Internacional da Mulher para repensar nossa postura frente a outras mulheres. Claro que assistimos cada vez mais demonstrações de parceria entre mulheres. No entanto, ainda, diariamente mulheres chamam umas às outras para competições que, muitas vezes, são extremamente cruéis, sob a desculpa de que “mulheres são invejosas”. Muitas vezes essa competição acontece no trabalho e isso pode ser bom. Muitas vezes é no trabalho e pode ser massacrante. Mas, em outras ocasiões, não têm nada ver com trabalho,talento ou fluência no inglês. Às vezes, essa competição é pura e simplesmente pela atenção dos homens, como diz a autora Chimamanda Ngozi Adichie no seu livro “Sejamos todos feministas”.

Não dá mais para educar as mulheres para que elas vejam as outras como rivais. Ou que passem a acreditar que as outras mulheres são invejosas. Na maioria das vezes, a inveja é subjetiva e difusa. As pessoas não sentem inveja necessariamente de você inteira. Às vezes é da sua casa, do seu emprego, ou – o mais comum – de uma  suposta felicidade que ela acha que você tem. Não somos um mar de invejosas desejando o mal das outras. Isso precisa parar, meninas. Todo mundo tem seus buracos. Seu bad hair day. Sua conta no vermelho. Ou alguma coisa que não dá para definir.  E é isso, bola pra frente.