Está difícil. Todo mundo nervoso, ansioso, instável. Quase impossível não ficar com a cara colada na TV acompanhando o passo-a-passo do que acontece no noticiário ou lendo as repercussões nas redes. E, diante disso, um fenômeno aparece, tímido para quem consegue notar: o fanatismo. Quem acha que somos só um país cheio de bossa, que ri e samba na tristeza está muito enganado. Nesses últimos tempos, o que mais se vê por aí é grito de fanático. De um lado e de outro. Eu sei que ninguém quer. Mas tem que respeitar o coleguinha. Uns vestem verde e amarelo, outros vermelho e outros branco. Assim é a vida. As pessoas não pensam igual, não vivemos ­ — ainda bem — em uma sociedade monocromática. Nunca um clichê caiu tão bem: mais tons de cinza e menos fanatismo, por favor.

Percebemos o comportamento do fanático quando, em seu discurso, ele reproduz o comportamento que ele mesmo repreende vindo de outro.  Parece coisa de louco: falar contra a violência e praticar violência. Vale tudo desde que não seja no seu jardim. Vale tudo desde que seja com o outro. E eu pergunto, meus amigos, onde que isso para? Isso, claro, não atinge a maioria das pessoas porque elas acham que essa “divergência” de pensamento se dá apenas nas ruas, durante uma manifestação. Só que não é assim. As diferenças estão em todos os lugares. Dentro das famílias, no seu ambiente de trabalho, no salão de beleza, no mercado. As pessoas pensam diferente. Sentem diferente. E temos que conviver com isso.

Claro que todo mundo pode falar o que pensa. A internet está aí pra isso, sua timeline é seu palanque, vai fundo. Contudo, é preciso saber que existem pessoas que pensam diferente de você. Que a sua opinião não é única e nem a melhor. Você pode até acreditar nisso, mas tem um outro fulano ali na frente que pensa diferente. E ele tem que ser respeitado por isso. Assim sendo, acredito que nesse momento tão difícil e tão apaixonado, seria interessante se reservássemos uns minutinhos para pensar sobre comportamentos fanáticos.

Nesse contexto, caiu como uma luva a leitura do livro “Como curar um fanático”, do escritor israelense Amós Oz. Nele, o autor diz que já é tempo de toda escola e universidade ministrar um curso sobre “fanatismo comparado”. E acredita que a síndrome da nossa época é, justamente, a luta entre fanáticos. Por fim, ele nos aconselha a cultivar certos “antídotos” contra o fanatismo: o humor — que, em sua opinião relativiza as verdades absolutas (“Nunca vi um fanático com senso de humor”) e a curiosidade (“agride o fanatismo porque o questiona e, às vezes, até descobre que suas próprias respostas estão erradas”).

Então, aos amigos e leitores desses meses que prometem emoção, repasso o conselho do Mr. Oz: mais curiosidade, humor, empatia e diálogo.