Lojinhas, cacarecos, copos de vidro e luminárias novas. Reformas na casa são sempre estressantes, isso ninguém nega. Mas poder repensar cada cor e cantinho do seu lar é, no mínimo, revigorante. Repaginar é difícil não só pela obra em si, mas porque nos força a rever tudo: gavetas, fotos, cadernos antigos, souvenirs. Acaba sendo cansativo resumir uma vida inteira a puxadores de gavetas, adesivos, caixas e azulejos. Entretanto, é também nas reformas que, muitas vezes, sentimos o impulso para fazer aquele faxinão na alma. E só assim dar espaço a uma nova casa.

Não é incomum você encontrar uma amiga que, depois de reformar a casa, resolveu cortar o cabelo, emagrecer, engravidar, se separar… Para algumas pessoas, só a possibilidade de entrar em contato com novidade é um portal de renovação. Uma regadinha de água fresca  já faz com que elas saiam brotando em flor. De fato, limpar os armários, jogar fora os sapatos daquela viagem que você fez para as montanhas e nunca mais usou e se desfazer de bilhetes da adolescência, tudo isso é um alívio. O problema é o que fazer para ocupar esses espaços que já estavam tão empoeirados, fechados em caixinhas. Cabe ali uma nova pessoa? Essa é, na minha opinião, a parte mais desafiadora e interessante.

(Foto:Reprodução)

Essa reflexão me faz lembrar de uma história. Certa vez, reformando minha casa, eu procurava um sofá. Estava com uma dúvida feroz. Entre o retrátil goiaba, o pequeno roxo ou o superconfortável que ficava apertado na minha sala. Durante essa incessante busca, encontrei uma menina que tinha estudado comigo no colégio. A moça – sem a menor piedade – acabou com meu conflito, dizendo que eu estava sendo dramática, que escolher sofá era muito fácil, que ela não dava a mínima para decoração, que tudo isso era uma bobagem. Saí de lá me sentindo péssima. Afinal de contas, ela estava certa. Um sofá não é tão importante assim. Até que entendi, desabafando para uma amiga, que o sofá não era apenas um sofá. Ele representava muito mais naquele momento. O sofá era a minha nova casa. Era a ocupação do meu espaço. Era eu, na minha antiga sala empoeirada – agora limpa -, dizendo: “E aí, para onde vamos?”. O sofá era o desejo de que a minha casa nova fosse aconchegante, cosy. O sofá – lugar onde começam e terminam as relações, casulo de cafunés e plataforma de descanso – era só o primeiro passo para que depois viessem vasinhos de flores, cheiros, histórias, taças de vinho, receitas novas. E deu certo. O sofá, que era novo, hoje envelheceu e abriu caminho para mais uma reforma, quem sabe, em um futuro próximo.

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