Então é isso. De repente, você chegou nos 30. Eles vieram, curiosamente, sem grandes dramas. Ok, talvez, relendo seu diário de colégio – em que você escreveu que, aos 30, se visualizava casada, com filhos, casa na praia e cargo alto de trabalho e rica -,  realmente não bata com a realidade. No entanto, algumas coisinhas foram mudando aos poucos, ou não? Você tem mais sono (ou falta dele, no caso de algumas pessoas), teve de começar a esconder os primeiros fios branquinhos com luzes, parou de comer Kit Kat todos os dias na sobremesa e, evidentemente, tem mais preguiça de sair. Claro que essas mudanças não são do dia para a noite. Não que você acorde com 30 e pense que não deveria querer mais nada que a casa dos vinte oferece: doideiras, histórias amorosas malucas, noitadas, empregos novos a cada semestre, enfim. É um processo que começa devagarzinho, desde os 27, 28… quando você já se sente meio perto dos 30. Mas, sejamos francas: que os 30 têm um pesinho, têm. Você não se pegava em casa dizendo, sozinha no escuro, “meu Deus, tenho 26 anos. E agora? O que eu vou fazer da minha vida?”. Talvez sim, mas é diferente ter um conflito aos 26 e aos 30.

É impossível falar dos 30 sem falar em Honoré de Balzac. O escritor francês publicou o célebre A Mulher de 30 Anos, livro que, desde seu processo de criação, já captava a essência dos 30. O mestre já dizia: “Uma mulher de 30 anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência”. De fato, os 30 parecem ser uma página definitiva do livro. Acho muito divertido ler entrevista das celebridades “balzacas”. As afirmações são sempre as mesmas: “Eu me sinto muito mais segura e bonita hoje”; “Ainda sonho em ser mãe, mas não chegou a hora”; “Tenho mais energia do que nunca”; e por aí vai… Com as amigas não é muito diferente. Tem aquelas que dizem se sentir na melhor fase da vida, a que está mal porque ainda não tem casa própria, a reclamona que não aguenta ir a casamentos todos os sábados do mês… É o tipo de conversa que você não tinha com suas amigas aos 25.

(Foto: Reprodução)

Os 30 para as mulheres – é preciso esclarecer – são diferentes do que para os homens. Algumas levam com a maior leveza possível. Outras, contaminadas pelo pacote antiquado e ultrapassado “tenho 30, não sou casada e agora ferrou”, ficam mais ansiosas. O que é normal também. Mas vamos ter calma e analisar. Sabemos que nós, mulheres, temos um problema de timing, deadline para engravidar, vontade biológica etc. e tal. Que mulher de 30 nunca se pegou pensando “na minha idade, minha mãe já tinha dois filhos, trabalhava e dava conta do recado”?. Mas os tempos mudaram. A medicina avançou, e muitas mulheres têm engravidado mais tarde. Então, isso não é mais desculpa para sofrer. Uma balzaca com ou sem filhos ainda é uma balzaca. Se há alguns anos todas as mulheres estavam em fases parecidas, hoje o mundo mudou. Não é que os 30 sejam os novos 20, mas digamos que as mulheres de 30, hoje, compõem um mundo mais complexo e menos conservador. Não existem tantas regras e protocolos que dizem “em que lugar você deve estar aos 30”. Talvez seja em casa com filhos e marido. Ou viajando. Trocando de carreira. Ou se separando. Casando. Ganhando um aumento. O que importa é saber aproveitar esse mar de possibilidades. É não ter pressa e desfrutar o ápice, segundo nosso Balzac.

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