Tudo começou quando eu fui no otorrino, mês passado, e ele perguntou minha idade. Ao ouvir 30, disse que a alergia – minha fiel companheira de anos – tende a melhorar. Sim, queria falar um pouquinho sobre essa coisinha que só os alérgicos entendem. Essa coisa que aparece em todas as estações do ano e com a qual você tem de aprender a conviver: a alergia. Tempo seco demais? Ela bate na sua porta. Tempo muito úmido? Ela nunca falta. Muito frio? Ela chega e fica. Verão? Vem tímida, mas aparece. E, nessas condições, só os alérgicos se entendem. Quem passa pela vida sem estar acostumado com o “ tradicional espirrinho de manhã” não sabe do que falo.

Afinal, alergia acaba sendo um estilo de vida. Ir a um lugar empoeirado, por exemplo, é um drama. Procurar um livro especial raro em um sebo? Esquece. Frequentar aquele teatrinho alternativo, cujas cortinas guardam a história dos anos? Nem pensar. Viajar para o interior na casa da sua amiga que fica fechada por parte do ano? É melhor levar o kit. E o  kit de um(a) alérgico(a), meu amigo, pode variar de pessoa para pessoa, mas um item não falta: muuuuuita paciência. É, paciência é uma palavra que não sai do nosso vocabulário. Junto com ela, rinite, sinusite, ácaro, mofo, Allegra, Polaramine. Que bom, aos 30 ela tende a melhorar, mas tenho a impressão de que você sai da alergia, mas ela não sai de você.

Não tem jeito. Você chega em qualquer lugar, com aquela cara ACABADA e todo mundo te pergunta: “Tá gripada?”, “Não, é rinite, mesmo”. Vai para a reunião de trabalho e todos ficam te olhando, porque, afinal, seu olho quase não abre, o nariz coça, você vai ficando vermelha… e todos sabem, durante uma crise, ficar em uma sala fechada é a pior coisa. E quando a alergia ataca antes de um evento importante, tipo um casamento ou batizado? A maquiagem quase saindo com o lacrimejar dos olhos… É muito triste, e só quem sofre desse mal sabe do que estou falando. Entretanto, existe um lado interessante de ser uma pessoa alérgica. As ambições diminuem e você é tomado por um grande sentimento de desejar menos. Desiste daquela viagem planejada há meses, da bolsa cara, do sonho da casa própria. A única coisa que você quer é RESPIRAR. Sentir o ar, falar sem voz fanha, conseguir ficar algumas horas sem espirrar, dormir sem precisar pingar nenhum remedinho… ou seja, viver bem. Se meu otorrino estiver certo, os 30 anos me darão esse presente de noites tranquilas e o direito a arrumar meu armário sem sofrimento.

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