Desde a semana passada estou para falar do canal que a colega Daiana Garbin criou para discutir distúrbios alimentares e de imagem. De fato, é impossível olhar para Daiana e pensar que ela se acha gorda. Mas ela se acha. Me identifiquei com algumas falas da colega. Também tenho braços gordinhos. Nunca evitei usar regata, mas adoraria ter aqueles braços torneados de quem faz academia ou mesmo os elegantes de Audrey Hepburn. Mas essa não é a minha “constituição”. Invejo os braços à la “Rita Lee”, meio “sou magra linda, hippie, woodstock”.  Acho tudo isso lindo. Mas realmente nem que eu quisesse muito. E nem quero, para falar a verdade. No entanto, sei que as mulheres com curvas (bem -vindas) que não esbanjam a autoconfiança da Kim Kardashian sofrem com isso. Por isso falar é importante.

Sempre achei que a questão estética é negligenciada nas discussões feministas. Fala-se pouco sobre sermos o segundo país no ranking de cirurgias plásticas e discute-se pouco o padrão de beleza.Ora, não somos perfeitas. E a musa Beyoncé é uma das que batem nessa tecla. Por isso, na minha opinião, precisamos refletir sobre pessoas que se deformam em mesas de cirurgia não apenas para recuperar uma suposta juventude, mas porque não conseguem descolar o olhar de si mesmas ou vivem em busca desse tal “padrão”. Sei que cada um faz o que quer da vida, mas acho difícil acreditar que a Donatella Versace é uma pessoa feliz com o corpo dela. Longe de mim criticar botox, lipo, ou dieta alimentar. Cada um sabe o que é melhor para si. Mas e quando as três lipos não bastam? E quando o implante sai pior que o soneto? E quando você abre mão da sua vida social, se isola cada vez mais, porque sua vida virou uma dieta que vai muito além da busca da saúde?

Se falamos tanto em opressão da mulher e defendemos a nossa liberdade, é hora também de nos questionarmos sobre a dificuldade que é ter que lidar com esse padrão de magreza. Lembro que, no começo da moda de blogueiras fitness, uma delas postava imagens de modelos maravilhosas, como Izabel Goulart ou Gisele Bündchen, com legenda: “já vomitou seu chocolate hoje?” Como repórter, foi impossível não me deixar tocar pelo que ela chamou de “brincadeira”, sem pensar nas adolescentes que a seguiam. Adolescentes que aprendem que o importante não é ser feliz, mas ser magra. O problema não é malhar e ser sarada. O problema, como disse a Daiana Garbin, é não conseguir se vestir nenhum dos dias da semana sem sofrer. O problema é que elas vendem. Vendem cada vez mais. O problema é que só elas vendem.

Bato palma para a iniciativa da colega Daiana. Por abrir esse canal de discussão. No lugar de se vitimizar, querer entender, aprender, ouvir. Por já ter sacado que o caminho de viver bem e buscar um fiozinho de felicidade não é esse. E que um braço gordinho pode, de um grande defeito, virar, quem sabe, apenas uma característica.