É dezembro e, de repente, chega aquele momento “balanço do ano”. Eu sei, ainda não passaram as festas, existem 300 amigos secretos com pessoas estranhas e chatas e alguns dias até a esperada e desejada pausa – quando a reflexão realmente chega. Mesmo assim, parece ser inevitável  pensar na fragilidade dos vínculos nesse fim de ano tão intenso. Ligações que parecem tão fortes em alguns momentos, tão “para sempre” … e que, de uma hora para outra, simplesmente deixam de acontecer. Deixam de ter importância. Deixam de se importar.

Dia desses estávamos combinando as amigas um jantar. Amigas que não se encontram sempre, que seguem com suas vidas – que têm outros amigos, grupos, trabalho e ocupações. Uma delas sugeriu que a gente se encontrasse na zona sul – perto dela. A outra falou que preferia na zona oeste- perto dela(outra). Ambas estavam cansadas do trânsito, do trabalho, do dia-a-dia. Daí o grupo fez silêncio e o encontro não aconteceu. Frustração para algumas. Alívio para outras. Sem dramas porque nos encontramos depois. Mas a história é ilustrativa de uma tendência atual. Sei que chega ser meio infantil querer manter todo mundo “do jeito que era antes” na sua vida. Mas também é triste perceber que, de repente, sucumbimos ao “não tenho tempo”, ao “não tenho paciência”, ao “estou cansada demais para o mundo”. Amanheceu e caiu a ficha de que tudo é motivo para “não”. E claro que isso não se restringe às amizades. Praticamente acontece com todas as relações.

Parece que o tempo do afeto virou o tempo da internet. Sabe essas campanhas de hashtags que você começa achando o máximo e, em menos de 24 horas, chega a conclusão que é uma bobagem? As relações parecem viver esse clima. As pessoas deixam de alimentar os vínculos. Ora, uma relação afetiva ( de amizade, familiar ou amorosa) demanda esforço. Quem ama sabe disso. É preciso ceder, sair da zona de conforto e, muitas vezes, fazer coisas que você não gostaria, simplesmente porque é importante. Não para você – que preferia ficar em casa assistindo Netflix a ter que ir no churras de aniversário do namorado da sua amiga. Mas é importante para o outro. E essa troca é vital. É essencial que a gente não entre em uma “bolha” do “só faço o que é importante para mim”. Essa é uma das confusões mais frequentes da atualidade. As pessoas acham que se preservar é o mesmo que só fazer o que quer. Entretanto,  só fazer o que quer… pode ser mimo. E não queremos viver em uma sociedade de mimados que não sabem mais se relacionar, não é mesmo?

Por isso, esse fim de ano pode ser o tempo de repensar os vínculos e quem levar para um 2016 menos egoísta e mais coletivo. É utópico, mas não é o fim dos tempos e ainda existem amigos para brindar.