Festivaia já era. No festival do Clube Caiubi, só aplaudi. Ouvi canções originais e vozes inolvidáveis. Talentos que a tevê não mostra. Que o rádio não toca. Porque o jabá não deixa. E você, o que pensa? Quem ganhou é o que menos importa. Arte não é esporte. Arte nos leva além do sucesso do fracasso e do medo da morte. Arte nos enleva nos dá consciência nos deixa bem. Todo mundo ganha quando sonha canta dança pensa.  Quando a esperança se alimenta de poesia a mente se reinventa. E a alma aumenta de tamanho. E importância. Somos maiores em meio a saraus festivais bate-papos na real nos canais virtuais e em outros tantos programas legais. Somos melhores livres sem cercado vip babado chique celebridade de araque canastrão diferenciado. Artista não é bichinho amestrado. Aqui, arte se discute: cantar também requer atitude.  

 

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FESTIVAL DO CLUBE CAIUBI

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Semana passada despenteei meu cabelo, cocei o bigode e fui dar uma de Pedro de Lara no bar do Julinho. Gentilmente convidado pelo amigo e grande compositor Sonekka, fui um dos jurados na quarta eliminatória do festival do Clube Caiubi de Compositores. Oito concorrentes de alto nível se apresentaram com três canções cada. Eu, mais os também músicos e compositores Walter Zanatta e Leonardo Coletta, encaramos a dura tarefa de escolher melhor música, melhor intérprete e ainda o melhor conjunto de canções.

Após lamentos (não poderíamos premiar mais que três) e discussões (não queríamos deixar ninguém de fora), escolhemos como vencedora a já clássica ‘Bosconeana‘, do brilhante compositor Álvaro Cueva, (na voz cristalina de Daniella  Alcarpe). O show-man Daniel Pessoa foi eleito o melhor intérprete e o espetacular grupo Meia dúzia de 3 ou 4 ganhou pelo divertido conjunto de canções. Curtam uma de suas sátiras:

 

 

Vocês poderão vê-los todos na grande final, em abril, quando também será comemorado o aniversário desse clube de compositores que mantém acesa a chama daquele perfeito casamento de música e letra, que se convencionou chamar de ‘canção brasileira’.

Não poderia deixar de destacar a performance superastral de Kana Nogueira que levantou o público em ‘O Fim do Fim do Mundo‘. As rimas incríveis do Léo Nogueira (melhor letrista, hors concours!). As deliciosas levadas interioranas e repletas de lirismo do Rafael Leite, como na sua ‘Estrela de 5 pontas‘, ou nesta ‘Lavadeiras da Paraíba‘. A atualíssima crítica social de ‘Filhos de Irineu Marinho‘, porrada em forma de música que o Caio Bassitt nos deu (sugiro entrar no link pra ouvir lendo a letra).

 

 

Registro também o ótimo (e mordaz) samba ‘Praça da Sé‘, de Kaká Silva, uma das músicas que disputaram até o fim o primeiro lugar. E ainda lembro com saudade das belíssimas canções e da interpretação intimista de Barbara Rodrix, como nessa arrepiante levada meio blues de ‘Ainda Assim‘, parceria dela com o Rica Soares.

 

 

Quem somos nós pra comparar talentos tão distintos e escolher um deles, nos perguntávamos. Mas, cumprimos nossa missão, entristecidos por não poder premiar a todos.

No fim, ganhou a canção brasileira pela demonstração de força e criatividade. Pelo desfile variado de estilos, timbres e belezas musicais que a grande mídia não divulga e, pior, sequer conhece. Parabéns a esses artistas únicos, de obras tão originais. Foi um prazer ouvi-los.

Em maio contarei como foi a final. Valeu, Clube Caiubi!

 

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PROGRAMA ‘NA MINHA CASA’, DE ADOLAR MARIN

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Sobre o festival, só faltou dizer que ele foi apresentado por um cara muito bacana, o Adolar Marin, músico e compositor da estirpe dos ‘baitas’ (copiei isso do poeta Akira, do Sarau da Casa Amarela). O Adolar, além de cantar e compor magistralmente, ainda por cima é de uma generosidade imensa. Ele criou, dirige e apresenta um programa na net, o Na Minha Casa, onde bate papo e mostra ao público o talento, as canções e a história de artistas que a gente já deveria conhecer mas o esquema corrupto dos jabás não nos permite acesso. Lá ele recebeu Sonekka, Gabriel de Almeida Prado,  Conrado Pera, Lia Cordoni, entre outros. No fim do programa, tem uma seção chamada ‘Dica sem jabá‘, onde o Adolar divulga e comenta novos cds. No caso (do vídeo abaixo), é o disco da ótima cantora Karina Ninni, que já fez parte do grupo vocal que acompanhava o Eduardo Gudin. Separei pra vocês ouvirem o programa com o Élio Camalle, outro artista notável de quem falarei mais profundamente num dos próximos posts. Curtam isso:

 

 

O Adolar Marin já tem três cds gravados: Qualquer Estação (1999), Atemporal (2006) e Epílogo (2013). Deixo abaixo um texto que escrevi pra ele, onde brinco com sua devoção à música. E finalizo com um clipe de ‘A Minha Casa‘ onde ele canta acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Santo André.
O Adolar Marin é assim. Feito de cordas couro metais e marfim. Sente a orquestra inquieta soando dentro de si. E os mundos em movimento & os múltiplos instrumentos & os vários músicos em um. Muitas musas numa só, todas as músicas num som. Os mil tons num milton. Sente o dom. Pressente a troca de passes dos craques até o gol. Ele ginga, é michael garrincha, é bamba. Tem levadas guardadas na manga. É bosco benjor e baden, é samba. Tira canções da lapela da lapinha da caixola. É chorinho cavaquinho e é viola. É ravel com adoniran é noel com chopin é villa com cartola. Nas dobras da blusa, ele é blues & reggae. É rap brasilis & repente USA. Na estampa da camiseta num toque de palheta o rock explode feliz: em elvis stones e hendrix. No nylon do violão, é bossa e mpb, edu chico e joão. Em sua casa, a voz rasgada do john canta imagine ao som do piano do tom. Ele põe o suingue do djavan no quase jazz do sting. O adolar gosta assim. Diz sim ao som e sing. Faz song de boa de bowie do bbking ao tim. Seu sol não tem fronteira. Soleira sem eira sonzeira sem fim. Seu lar é ali. É dentro da música que ele mora. Como num templo onde os deuses são feitos de som. Adolar é um lugar em que se adora a canção.

 

 

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PROGRAMA ‘DIÁLOGO SP’, DE GILBERTO NASCIMENTO

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O jornalista Gilberto Nascimento está com um programa bem legal na TV Câmara/SP. Sempre antenado, ele foca nas questões sociais e promove importantes encontros em que dá  voz aos movimentos organizados e seus líderes. Nove temas já foram debatidos: descrença na política, a experiência do bairro educador,  projetos inovadores em educação, ciclovias, saúde masculina, reciclagem, refugiados,  crise hídrica e o movimento crescente dos saraus.

Já estão previstos programas sobre educação inclusiva, rolezinhos e mídia comunitária.

No último Diálogo SP ele recebeu o escritor e ativista social Alessandro Buzo e o poeta Akira Yamasaki para falarem sobre a volta dos saraus e a força do hip hop na periferia. Assuntos como a relação do artista e do promotor cultural com a mídia, a comunidade e as leis de incentivo foram abordados. Assista:

 

 

 

 

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AGENDA

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dia 9, quarta, 20h30 …  Tambores Flow – alegria, sax e tambores … Uma experiência intensa de ritmos, respiração, meditação e cantos. Esta semana com o saxofonista e jornalista Roger Marzocchi.

dia 12, sábado, 17h …  Lançamento – Livro de Sete Cabeças … Nascido em 2006, o Blog de Sete Cabeças publicou um poema por dia durante um período de seis anos. Uniu poetas de diferentes regiões, idades e gêneros. Com o tempo, mais e mais poetas foram se juntando aos sete autores originais, formando um verdadeiro painel dessa geração.

dia 12, sábado, 18h …  Sarau no Tereza de Benguela … No mês de março, recitais e conversas sobre o mês das mulheres. O desenho no cartaz deste mês é da artista guarulhense Acsah Leite (Arte de Lírio).

 

dia 12, sábado, 18h … Show de Juli Manzi na inauguração do Centro Aboca em SP … O centro de artes que é a sensação do momento em Salvador abre suas portas em SP, apostando na diversidade de projetos em cultura e ensino. Com poemas de Daniel Perroni Ratto.

dia 12, sábado, 18h30 … Alex Dupas no Carauari … O gaitista Alex Dupas e sua banda trazem o animado e irreverente show de blues com grandes clássicos e músicas do seu mais recente disco “Assalariado”.

dia 12, sábado, 20h … Arte Canal ~ Mulheres … A Aldeia Satélite comemora o dia da mulher com muita música, poesia e teatro contemplando o universo feminino em várias dimensões artísticas.

 

dia 12, sábado, 20h … InRollando Stones Sábado no Santa Sede Rock Bar! … A banda cover dos Stones de volta ao Santa Sede Rock Bar tocando os grandes hits da maior banda de rock do mundo!

dia 12, sábado, 20h … Banana’s Convida … Vladinsk e Cordeirovitch, Deise Capelozza e João Emílio, Zé Paulo Guerreiro, Paulo Barroso, Dari Luzio e Chero da Poesia são alguns dos convidados desta noite repleta de música e poesia.

dia 12, sábado, 20h30 … Show de Lançamento do EP “Bivolt” | 5PRAStANtAS + Carbônica … Lançamento do EP com convidados especiais.

dia 12, sábado, 21h … Kleber Albuquerque – show de lançamento do “Canto do Povo do Mar de Minas” … O cantor e compositor lança seu novo trabalho ’em suaves prestações’. Assista ao show de lançamento no quintal do Teatro Imaginário da Fábrica de Caleidoscópios. Reservas antecipadas.

dia 15, terça, 10h … 3° Semana da Cultura Caiçara de Santos … A Semana da Cultura Caiçara, que homenageia o compositor Gilberto Mendes e o escultor Francisco Telles, é um projeto de valorização e divulgação da cultura tradicional caiçara e suas relações com a contemporaneidade.

dia 15, terça, 20h … Lançamento de “Roteiros para uma vida curta” na Buenas Bookstore (Cemitério de Automóveis) … A Editora Reformatório e a Buenas Bookstore convidam para um bate-papo com Cristina Judar, Marcelo Nocelli e Tarcísio Buenas.

 

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NANÁ VASCONCELOS

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No fechamento desta coluna, recebo a triste notícia da morte do grande artista Naná Vasconcelos, eleito tantas vezes ‘o melhor percussionista do mundo’. Além do músico talentoso, que tive a felicidade de ver tocar uma vez, guardo dele simpática lembrança: durante longa espera em uma fila no Sesc Consolação, ficamos lado a lado. Eu, já meio emburrado, ele todo sorridente, retribuindo cumprimentos. Claro que, como na música do ‘crachá‘, do Gil, se ele quisesse entraria sem o porteiro ver. Mas Naná não era desses. E quanto mais tempo passávamos na fila, mais acenos, elogios e carinhos ele recebia. Muito merecidos, claro. Alceu Valença escreveu um pequeno e belo texto com o qual se despede dele. E eu de vocês. Semana que vem tem mais. Inté!

“Hoje viajou um dos maiores artistas e percussionistas de todos os tempos:  Naná pernambucano, brasileiro, africano, universal! Naná do bombo, agogô, maracatu, do berimbau. Naná do compromisso com a cultura, Naná do carnaval. Naná da música popular, do jazz, do erudito, dos gritos sonoros, do perequetê, perequetê, perequetê que ficarão nos corações e nos ouvidos de todos nós!”

 

 

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Na semana que vem falarei do Sarau da Maria, que completa três anos de amizade, música, poesia. Parabéns!

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