Hoje apresento dois artistas jovens e talentosos da zona leste da cidade. A Nina Oliveira, de quem eu já postei uma canção e havia prometido falar mais. E o Lucas Afonso (é Afonso, mas não é meu parente… rsrs…) que eu conheci num sarau da Casa Amarela, em São Miguel Paulista.

Ambos foram entrevistados pelo programa Certo Olhar, mais um dos muitos projetos interessantes do coletivo ‘Periferia Invisível‘, de Ermelino Matarazzo. Posto as entrevistas pois os dois tocam em pontos comuns que são da alçada deste blog e acho importante realçar: a democratização da cultura, através da (re)utilização de espaços públicos, unindo moradores e (futuros) artistas de uma mesma região e a necessidade do investimento (público ou privado) em educação pela via de cursos e oficinas, nas áreas de teatro, música, dança e circo. Eles também comentaram sobre saraus e outros eventos culturais dos quais participaram e que abriram oportunidades para que descobrissem e aprimorassem seus múltiplos talentos. Têm muito a dizer. Ouçam:

 

 

 

Após conhecermos um pouco do pensamento deles, posto mais uma canção da Nina, agora acompanhada pelo violão e pela bela voz do Rubel (aqui seu cd). E esse texto que eu escrevi pra ela, enquanto a ouvia falar e cantar:

Seu nome é Nina. Quando canta, ela arrepia. Quando fala, ilumina. Clareia uma ideia num canto da sala da cela abre janela nos casulos calados do mundo. E é tão menina. Como pode encantar assim? A Nina é essa voz feito asa na escuridão. Seu canto vem de longe lá de dentro do âmago do relâmpago do coração de onde muitos nem ousarão pisar ou sentir. Cegarão. Abraço de sol,  Nina tem alma de cristal e luzes na respiração. Cada vez que ela entoa, é pura iluminação.

 

 

 

Do Lucas Afonso (aqui seu EP) eu vou postar uma música e uma poesia, pois além de ótimo letrista e músico, ele é um poeta dos mais inspirados.

Seu nome é Lucas. Mas ele é muitos meninos. João, Hélio, Mané. Sob a lama de Mariana, sob as balas de batidas policiais na periferia, sob a pele de cor negra. Um rapper repentista e sambista que mistura Brecht, Vinicius e Martin Luther King com Mano Brown, Cartola e Nelson Gonçalves. Um menino indignado dando voz aos que não tem. Ele acaba de vencer o Slam de Poesia (torneio nacional) e vai nos representar na França (torneio internacional). Parabéns ao Lucas, poeta de sua quebrada, sua alma é todo mundo: “a gente sabe por que sempre trava a porta giratória”. Não há como ouvi-lo sem se indignar, sem se arrepiar ou sem marejar os olhos e concordar com ele. Tamo junto, mano Lucas.

 

 

 

Após esses dois jovens, na semana que vem postarei comentários sobre o compositor Paulo Barroso, que com mais de 60 anos, acaba de lançar cd e site. Você vai conhecer sua história de superação, sua luta e seu talento. E se perguntar: por que eu nunca li nada sobre esse cara antes? E é mesmo o caso de se perguntar: por que será?