Se você não gosta muito de sexo, pode parar de ler. Já! Aqui o bicho pega a jiripoca pia a cama quebra a casa cai. Aqui tem piriri no pororó e tchururu no fiofó. Também não precisa ser um gato agoniado uivando de cio no telhado. Mas pra seguir lendo, recomendo: tem que gostar do talho do cabo do machado do bucho ralado do pilão batido de socar até o talo. Do esfrega-esfrega pega-pega tira-e-põe e coisa & tal. Do vuco-vuco lepo-lepo fuc-fuc e aiaiai. Se você tem nojinho de algum cheirinho, de suor ou de gozo, nem vem, não desce pro play. Fica aí. Mas se gostas do delírio, pode invadir e sentir a tua língua roçar a língua da Flá, do Xaxá, da Baby Lou e do Vlado Lima, poetas dos saraus e da folia. A palavra está viva a verve ativa pra matar a sede de poesia na saliva. Alegria, alegoria e som na caixa. Relaxa, senão não encaixa, que o buraco é mais em cima. E mais embaixo. E é de um lado e do outro. De quatro e também de oito. De bate-pronto. E o beijinho não é só no ombro.

 

Hoje este blog está tarado. Só pensanaquilo. Muitas vezes escrevemos sobre sexo e somos chamados de pornográficos. Quando não xingados ou processados. Lembro de algumas inspiradas frases de Woody Allen a respeito disso: “Eu acho que o sexo é uma coisa muito bonita feita entre duas pessoas. Entre cinco, então, é uma coisa fantástica.” Ou ainda: “Não acho o sexo uma coisa suja, não. Só quando é bem feito.”

Dito isto, fico mais à vontade (ôps!) para postar meu singelo poema denominado “Buceta”, que declamei (com água na boca) durante uma edição especial do famoso Sarau Sopa de Letrinhas. Ouçam:

 

 

Já propus ao grande artista plástico Carlinhos Muller fazermos desse poema um simpático livrinho ilustrado por porradas (ôps!) de vaginas de formas e cores variadas. Enquanto a ‘nossa’ não se abre pra vida, recorro às vaginas alheias que viraram tema de poemas e rimas na boca e na pena de três dos maiores poetas brasileiros.

 

DRUMMOND

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos…

 

FERREIRA GULLAR

azul era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu

tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo (não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para…

 

MANUEL BANDEIRA

Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e tungescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinente,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente…

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Pra gente ver como nesse ‘campo’ todo julgamento é muito relativo e/ou precipitado: em 1866, a extasiada e provocante vagina pintada (ôps!) no quadro A Origem do Mundo, de Gustave Corbett não podia ser exibida em público. Em 1896, trinta anos depois, o inocente filme colado aí embaixo, “The Kiss”, de William Heise, foi censurado também. Vá entender o porquê. Por que será que a violência rola solta nos filmes da tv e ninguém nem liga se o filho assiste. Mas se tem cena de sexo sempre dá um rebu desgraçado. De onde vem tanto medo, culpa, complexo ou será só tara não assumida e escondida no armário?

 

 

 

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Após essa demorada introdução (ôps!), cito algumas vozes originais que tenho ouvido pelos saraus. Uma ótima poeta de temas eróticos é a Flá Perez, que recentemente lançou o ‘AntropoFlágica‘. Veja alguns de seus poemas:

 

Well Fucked
É muito bonita essa coisa de língua e dedo,
todo esse platonismo aflito,
auto satisfazendo o corpo
sem ter nenhuma vergonha ou medo.
Mas me desculpem as meninas
e os senhores que não tem pau:
ele é fundamental.

A Língua (de) que Falo
Nenhuma língua falada nesse mundo
fala a nossa,
e ainda assim
a lingua que entrou na minha boca
aquela tarde
não estava morta.

Mezinheira
Nada melhor nessa vida
pra acabar com a insônia
e a briga,
do que uma noite
bem dormida comida.

Preliminares
Minto
no sentimento,
mas

falo

da boca
pra dentro.

A mai(s)
O sêmem, as outras,
a falta de tato, os destratos:
há coisas que a gente só engole no amor.
Mas depois que tudo isso passar,
não pergunte porque a gente cospe,
me faça o favor!

 

Sobre seu novo livro, escrevi: 

Que leitura prazerosa! Li de uma sentada só (ôps!), em casa, como quem goza. Depois fui relendo pelo caminho, no busão e no metrô, pra gozar mais um pouquinho. Já admirava o estilo Flá Perez de tiradas irônicas e cutucadas ácidas na falsa moral. Sempre saquei seu papel libertário, seu personagem ousado e provocativo, seus versos valorizando a independência e a não-submissão da mulher (e também do homem) nas relações. A não ser quando se quer brincar disso, claro… Essa brincadeira, também poética, tem nome: liberdade. Liberdade de ser, escrever e amar. Difícil destacar um poema, porque o livro tem unidade e ritmo. Mas esse aqui, brilhante, eu até decorei:

Autoral
É de outros, se coloco entre aspas.
Quando ponho entre as pernas
é só meu
e ninguém tasca.

 

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Antes do próximo texto, uma canção que tem tudo a ver com nosso assunto: enquanto me debruçava (ôps!) sobre a obra de 

Documento

em 1979. Um hino ao prazer e um elogio à mulher.

“Deixa que a minha mão errante adentre atrás, na frente, em cima, embaixo, entre”

 

 

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Um excelente poeta que também está de livro novo é o Vlado Lima, com seu primoroso Como suportar jabs no baço e encarar nocautes (que comentarei num post futuro). De seu livro anterior Pop Para-choque, extraio esse tocante (ôps!) conto-poético sobre um certo cu que apareceu no meio do caminho. No meio do caminho tinha um cu.

 

BANDINI E A BOAZUDA

1ª PARTE (ALVO & MIRA)

aquilo era um cu
e que cu!
cu de potranca parideira preparada
cu de cachorra de baile
cu de quenga
112 cm de rabo empinado embalado em calça jeans
um Garrincha nos quadris
um tamborim no toc-toc dos tamancos
obelisco bom de beliscar
tronco de baobá
oba! Bandini em mim ulula

a câmera do metrô viu
quando ela saiu do ultimo vagão na estação Anhangabau
UUUUU!
a Sete de Abril se abriu num rio de baba
boys crentes camelôs: aleluia gostosa!
psiu! palmas pra que te quero
qué pipoca ou qué pô pica?

2ª PARTE (PERSEGUIÇÃO & FUGA)

entrou na Telefonica
comprou um cartão de 40 unidades
e ligou pra amiga da Vila Iório
(um cu assim
e Jesus tornaria ao mundo das carnes só pra uma
punhetinha básica)
(…)
desceu a Dom José
virou a direita na Barão
e seguiu até o Teatro Municipal
(um cu assim
e os nerds de Oklahoma City descobririam
a cura do câncer)
(…)
Cruzou o Viaduto do Chá
passou pela Praça Patriarca
e flertou com os manequins da Rua Direita
(um cu assim
e paz na terra aos homens de boa
vontade)
(…)
na Praça da Sé pegou um ônibus
encostou a cabeça na janela
e dormiu até a Cidade Patriarca
(…)
eu seguiria aquele cu até o sertão do Curdistão

 

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Para ilustrar esse poema do Vlado, só mesmo a baixaria divertida das Velhas VirgensCurtam a sutileza e o lirismo (só que não) da letra dessa canção ‘romântica’.

 

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Finalizando a doce mistura de safadeza e literatura, apresento dois poetas que nem se conheciam pessoalmente e fizeram uma tabelinha muito interessante através do facebook. Beatriz Lourenço postava suas pérolas despudoradas na voz da Baby Lou, personagem danada de fogosa que criou. Ao lê-la, o Francisco Xavier entrou (ôps!) com o seu Tonhão, cabra macho, pero (às vezes) no mucho. Sem falar nos muitos outros criativos e variados escritos com que eles nos brindam individualmente (visitem o blog do Xaxá). Abaixo, um pouco do troca-troca (ôps!) poético deles.

Beatriz Lourenço (Baby Lou)

meu bem
confesso
minha língua
atrevida
frequenta lugares
tão impuros

nem os queira
imaginar

mas tão casta
se torna
quando digo
te amo

vai tomar
no cu
se não quiser
acreditar

Francisco Xavier (Tonhão)

Tenha pressa coração
Encontre o teu amor
Pois a vida é sonho
E a morte, despertador

Beatriz Lourenço (Baby Lou)

No dia da consciência negra
prepare a língua suada,
o couro molhado
e aquela linguiça
O fogo, a pimenta e o rabo
pode deixar que eu levo.

Francisco Xavier (Tonhão)

Depois de quase cometer um pintocídio
Pelo delegado, Baby Lou não foi presa.
Alegou que na cama, fiquei louco de amor
e a chave de coxa foi legítima defesa.

Beatriz Lourenço (Baby Lou)

o dia que te avistei
amor
adentrei tua porteira
com meus mocinhos todos
enrabichados

e ficaste tão vasto
que levei também
os meus bandidos
e todos os santinhos
do pau oco que encontrei
pelo caminho

o dia que te avistei
amor
espichei tanto teu latifúndio
que o problema de moradia
acabou pra essa gente toda
de coração tão apertado

baby Lou alongando

Francisco Xavier (Tonhão)

Para conquistar baby Lou
Aprendi a declamar poemas
Ela exigia que o fizesse
Com voz rouca
Olhar sensual
E pau duro
Daí a minha preferência
Por versos curtos

Censura
de cu
é rolha.

 

 

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AGENDA

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Dia 3, quinta, 21h …  Pré lançamento: A Língua e a alma – show de Gabriel de Almeida Prado … Músico lança seu cd no Julinho Clube. Participação especial de Élio Camalle, Carlos Galdino, Alexandre Mello, Aninha Ferrini e Pedro Keiner.

Dia 4, sexta, 18h … Sarau da Mulher Trabalhadora … O sarau dá ínicio às comemorações do dia Internacional da Mulher e contará com diversas apresentações de artistas previamente inscritos.

Dia 4, sexta, 21h … O Dia De São Nunca … Show marca o retorno do cantor Sander Mecca ao cenário musical brasileiro. No Espaço Parlapatões. Novo clipe tem participação de Zeca Baleiro.

Dia 5, sábado, 16h … Hamelin – Grupo Teatral Ansur – Temporada Aldeia Satélite … Peça de teatro na Aldeia Satélite Espaço Cultural, em São Miguel. Veja trecho do espetáculo.

Dia 5, sábado, 17h … Gira de compositores (e cantores e instrumentistas) … O músico Kleber Albuquerque promove roda de violão para novos compositores. Inscrições agendadas.

Dia 5, sábado, 17hSensorial Discos recebe Eden e Nina Oliveira … A Sensorial Discos, na rua Augusta, recebe o som brasileiro refinado de Eden e a doçura tupiniquim de Nina Oliveira.

Dia 5, sábado, 17h … Sarau Pense Já (5° edição) … Poesia, Música, Fotografia, Dança,Teatro… Arte produzida fora da panela midiática. Organizado e apresentado por Cleyton Mendes e Barbara Cinelli
No Espaço Cultural Opereta, em Poá.

Dia 5, sábado, 18h … Rock Insane na Carauari … Banda interpreta o melhor do rock nacional e internacional. No Bar e Mercearia Carauari, na Vila Maria.

Dia 5, sábado, 18h … Festa da Xiló … A Casa da Xiló lança suas camisetas estampadas pelo artista plástico guarulhense Omar Farago. A festa adentra a madrugada com shows de Mel Farago, Warley Noua, Johnny de Las, Victor Cali e discotecagem  de João Perreca.

Dia 5, sábado, 18h … Show Matéria Estelar em SP … A cantora Rhaissa Bittar, de quem sou muito fã, mostra as canções de seu novo cd na Galeria Olido. Grátis.

Dia 5, sábado, 19h30 … Kana e Banda no Alcino Bar … Clássicos da MPB, jazz e canções próprias compõem o repertório da cantora e compositora Kana Nogueira, ligada à turma do Clube Caiubi.

Dia 5, sábado, 20h … Grupo Ecco ao vivo de graça em São Paulo … Grupo vocal interpreta músicas como “Lamento Sertanejo”, de Gilberto Gil e Dominguinhos, “Na volta que o mundo dá”, de Vicente Barreto, “Beradero”, de Chico César, “Sobradinho”, de Sá e Guarabyra, entre outras.

Dia 6, domingo, 16h … Sarau Urutu 5ª Edição … Como o local será desapropriado para a construção de uma nova estação de trem, o sarau é também a luta de resistência e persistência para as famílias da Urutu.

 

 

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TEATRO

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E já que o assunto da coluna de hoje é sexo, vamos continuar dentro (ôps!) do tema.

‘Refúgio – O musical’, peça que conta as dificuldades emocionais da descoberta de um relacionamento homossexual, está em campanha de financiamento coletivo. A cooperativa teatral Actuare Produções traz a São Paulo essa montagem inédita e autoral, adaptada do premiado curta-metragem ‘Refúgio’. Os protagonistas, Max e Lucas, serão interpretados por Max Grácio e Waldírio Castro.

Pra conhecer o projeto e colaborar, entrem no

http://www.kickante.com.br/campanhas/refugio-o-musical

 

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Pra terminar, mais uma canção sobre aquilo que não tem vergonha, nem nunca terá. Que não tem governo, nem nunca terá. E que não tem juízo. Enquanto o mar passa sua enorme língua na areia arrepiada, eu me despeço saciado. Foi bom pra você?

Semana que vem tem mais!

 

 

 

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