Esta coluna está de luto. Um amigo dos artistas alternativos nos deixou. Perdemos Mauro Dias, grande jornalista e ativista cultural. A ele, nossa homenagem, nosso agradecimento. 

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Vida que segue, tenho a alegria de apresentar o talentoso Viegas. E de lembrar, via Brau Mendonça, da voz ‘dela’: a ‘nêga’, a ‘criôla’, a saudosa Lucia Helena Corrêa.

 

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Sábado passado, no Sarau da Maria, um jovem artista de cabelo rastafari conquistou a galera e fez nossas ideias girarem no carrossel das suas tranças. Viegas, que recentemente lançou o cd Alquimia Sonora, mistura em seu visual os dreads de cantor de reggae com as roupas largas de rappers, mas é no som que ele nos surpreende ao mesclar ritmos, como samba e maracatu, além de fazer citações à bossa nova. No disco, várias participações legais: Leandro Kinté, Adriana Guedes e a bela voz da Alba Brito, entre outros. Nascido e criado no bairro de Guaianases, zona leste de São Paulo, é da observação crítica dos problemas da metrópole, e de sua gente, que ele extrai seus temas. E transforma tudo em batidas e poemas.

 

 

 

Ao Viegas, as minhas humildes rimas:

É pau é pedra é foda, mano. É canção falada no tom, sem piano. É Jobim na quebrada, é a vida embolada no sonho. É a palavra íntima do ritmo. É o grito, explícito. Verdades que os pés desenham no asfalto, que a cintura esculpe no espaço, que as mãos repercutem  no tempo. No compasso. Sons que o corpo faz quando se mexe e interage. Ama, sofre e nunca esquece: respira a poesia que escreve. Música do movimento. A voz de um que é comum ao que o outro sente. A palavra em coro, o som que vem de longe, que vem de dentro da gente. O saber ancestral retomando o ideário original, do igual, que se perdeu. O  mundo profundo de cada um, que é geral. Dele, meu e seu. História na memória, Viegas vai na veia da ideia. No coração do pensamento. E ao nosso arrepio, à flor da pele, planta outra flor, perene: um princípio, um valor, um amor multicor. É pau é pedra é foda, mano. Mas não é o fim do caminho. Na busca, na luta,  fazendo sua parte com arte, o Viegas vai seguindo. E não vai sozinho.

 

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Ainda no Sarau da Maria de sábado, o violonista Brau Mendonça, lembrou, comovido, que já passamos dois anos sem a presença luminosa da cantora Lucia Helena Corrêa. Saudoso também, deixo aqui uma composição dela (‘Tarja Preta’, parceria com Valdir Dafonseca) acompanhada pelo magnífico violão do Brau. E mais abaixo, uma gravação extraída de seu último cd, ‘Febril’: a belíssima canção ‘Cisco no Olho’, de Ricardo Soares, Sonekka e Lis Rodrigues.

 

 

Nessa matéria relembrando a Lucia, eu ia aproveitar pra falar um pouco sobre a importância do jornalista Mauro Dias, que fez o texto de apresentação do cd dela (uma das muitas belezas que nos ofertou). Por uma terrível coincidência, recebo hoje a notícia de sua morte. Pra quem não sabe, seus textos sobre MPB fizeram história na crítica musical. Sempre antenado e abrindo espaço aos novos talentos, por mais de dez anos o Mauro desfilou seu brilhantismo no Caderno 2, o suplemento cultural do Estadão. Eu tive o prazer de conhecê-lo e até de bater uns papos sobre música, claro, com ele. Foi justamente num show da Lucia Helena, em Santa Cecília, que o vi pela última vez. Descanse em paz, Mauro Dias. Obrigado por ter nos apresentado Celso Viáfora, Kleber Albuquerque, o pessoal do Clube Caiubi e vários outros artistas da cena independente. Por fim, deixo o ótimo texto que o jornalista Luiz Zanin, blogueiro do Estadão, escreveu sobre ele.

http://cultura.estadao.com.br/blogs/luiz-zanin/meu-amigo-mauro-dias/

 

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AGENDA

Hoje, dia 2 de fevereiro, tem show autoral do supertalentoso compositor e cantor Augusto Teixeira, de quem falarei em breve neste espaço. Vai ser no Julinho Clube.

Sábado, dia 6, tem o Bloco do Pedal, organizado pela Filó Silva.

Sábado também, tem o Bloco da Maria na Mercearia, na praça Carauari.

Ainda no sábado. com agendamento, a terceira Gira de Compositores, na Mooca.

 

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Semana que vem, postarei algumas canções carnavalescas.

“ô skindô… skindô…”

Bom feriado a todos.

 

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