Nesta seção você fica sabendo de eventos legais com os artistas que participam do circuito de saraus. Hoje, duas sugestões de shows e um lançamento de livro. Em futuros posts, comentários mais detalhados sobre eles. Aguarde.

Hoje (17/12) tem show de Conrado Pera, jovem talentoso, águas de muitos mundos escorrendo pelas cordas do seu violão. Sua voz mistura sotaques e cria idiomas novos: é caipira com latino, sertanejo com urbano. Menino inquieto, não sossega… Quer aprender e vai lá pra perto ver. Viaja, corre trecho, dorme ao relento, ouve os sons da natureza, trovões, cantos e gritos. De gente e de bicho. Nossa solidão e desamparo estão lá nos seus ritmos. Mas a procura da felicidade sobressai. Sua música é um afetuoso abraço na diversidade. Esse “Enlaçador de Mundos” se apresenta hoje no Centro Cultural São Paulo. Vá conhecê-lo.

 

Hoje tem também Marcio Policastro apresentando seu cd “Pequeno Estudo Sobre o Karma”, no simpático bar do Julinho Clube (Alô, compositores: é lá que acontece, toda segunda-feira, o sarau ‘Segundas Autorais”). Grande compositor e letrista, membro do Clube Caiubi de Compositores, o Marcio vai além de escrever ‘letras de músicas’. Ele cria verdadeiras ‘crônicas cantadas’, de tanto que capta a melodia áspera da cidade grande e seus personagens amontoados em meio aos escombros do cotidiano. Seus temas, pra lá de originais, incomodam, provocam o ouvinte. Arte de quem se coloca no lugar do outro. E faz pensar. Vá lá ouvir. E refletir.

 

E ainda tem o grande poeta Edmilson Felipe lançando o seu Self no Cadafalso. Pra você ver que o cara é dos bons, colei abaixo seu texto de apresentação e um trecho do poema que dá título ao livro. (Nota: a Praça Carauari, citada num verso, fica na Vila Maria, bairro do poeta. Nela, há o bar Mercearia, onde acontecem saraus semanais, entre o balcão de laticínios e as prateleiras de enlatados.)

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Nome: Edmilson Felipe. Ordem: Primata.  Família: Homínidas. Gênero: Homo. Espécie: Sapiens-Demens.  Biografia: Antropólogo, nasceu em São Paulo e desde a infância aconchega o mundo das ideias sobre a olha branca, criando códigos que iluminam a fratura exposta no ato da criação. 

SELF NO CADAFALSO

Self no Cadafalso à luz de um lampião
em plena noite sombria, após o aluvião
de saber-se só
no meio da multidão.

Self no Cadafalso
& quando raiar o dia,
fazer castelos de areia
além da arrebentação.

….

Eu vejo Sísifo carregando o rochedo em sacola reciclável
enquanto bebo o vinho da putaria na orla das madrugadas

Eu vejo um futuro lacrimejante no céu dos insurgentes
da Praça Carauari
& tenho quase certeza que o mundo já foi engraçado
Porém,

não sabíamos rir.