Ei… tem alguém aí? Tem algum lóki logado ligado aqui? Ou estou mesmo só sem ninguém alone again como sempre no universo online nesse sertão de ilusão de sal de silício de sonhos e rancores projetados diluídos de faces & fotos amareladas, entre tapas & beijos afagos & brigas, ao pó virtual dos tempos que se vão em vão & não, pelos posts & emoticons pelos likes & comments que se extraviam pela via pela vida sólida & líquida e que se perdem como tudo se perde se perdeu e sempre se perderá um dia. Como eu como tu como o rabo do tatu como o fio o mouse e o wi-fi. ‘Como tudo passa como vai para o céu a fumaça como fica na terra o carvão’. ‘Como tudo passa tomando chá ou cachaça tomando champanhe ou não’. Como Cecília & Itamar, como poesia & canção. Nesse um ano de blog, agradeço a todos os bródis (artistas & amigos) que nele palpitam (tum-tum) que dele participam e o escrevem & creem & comungam comigo. Um brinde a vocês!

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Quatro novidades a respeito deste blogueiro >>> Sarau, Luau e o Escambau tá arretado e quer agora surfar na onda sonora: crescer transcender ser programa de rádio. E este acelerado siderado Arnaldo Afonso (excepcionalmente hoje, falando de si) adianta mais três ações emoções anotações três possíveis realizações de seu surrado caderninho vermelho-paixão guardado nas dobras do selvagem coração para batalhar desde as primeiras luzes & lágrimas e fogos & risos em meio a abraços de parentes & amigos aos primeiros beijos & desejos do novo ano novo supernovo de novo: lançar um cd e um livro. O disco poderá ser uma festa, espécie de clube da esquina, com vários sons de meus parceiros legais, ou, um manifesto pessoal, um registro solitário de minhas esquisitices musicais. O livro poderá ser uma seleção de alguns de meus lambilongos poemas ‘sujos’ (grande Ferreira!) ou dos vários textos curtos que escrevi em 2016, sobre vocês, moradores deste virtual casarão artístico alternativo, ilustrado pelos cliques chiques do Roberto Candido (topas, Bob?). O terceiro projeto é encenar minha peça sobre a sofrida vida e a maravilhosa obra do genial Cartola. Essa montagem é um delírio com que sempre sonho e me arrepio. Vai ficar linda (por méritos do inspirado/inspirador compositor biografado, claro). Se, ao término de 2017, algum desses quatro projetos (que há tempos pulsam vivos comigo) tiver saído de mim e acontecido por aí, serei um homem ainda mais feliz, mais feliz do que já sou do que já soo do que já soul. Vai ser show!

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Já que falei de mim e dos meus quatro projetos (rádio, cd, livro e peça), vou completar o serviço e dizer (aos novos e desavisados leitores) que mantenho duas páginas no facebook: uma, onde posto alguns poemas e canções (veja aqui) e outra, onde replico os textos deste blog (veja aqui). Devido à correria desses dias de muito trabalho (obrigatório) e vadiagem (necessária), as duas páginas estão um pouco largadas e levemente defasadas. Mas já dão uma boa ideia da minha produção artística. Um quinto projeto seria administrá-las melhor em 2017.  Minha produção, como a da maioria dos artistas alternativos, tem bom conteúdo e alguma originalidade, mas peca pelo mau acabamento e amadorismo (espalhei alguns poemas e vídeos toscos de músicas minhas pelo post). Daí a importância das festas e encontros em bares e saraus, para o artista se soltar, amadurecer tecnicamente e sedimentar contatos e parcerias que lhe propiciem um salto de qualidade. Esta é a função também deste blog: respeitar os diversos estágios de poetas e músicos e noticiar o que acontece, o movimento dos grupos, os shows e tentativas de todos. Com mais ou menos profissionalismo ou talento, é a força do coletivo que abre os espaços para que todos usufruam. É uma bela história de muitos projetos e algumas realizações, de luta e resistência. Eu fico feliz por participar dela. E poder escrevê-la. Leia.

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NONARTE

(Arnaldo Afonso)

Pra que serve um poema uma canção
uma vida paralela uma invenção.
Um filme rodando no mundo escuro da imaginação.
Quem poderá dizer ao certo o que é real ou ficção?
Li que os índios brasileiros misturam isso.
O sonhado é vivido, o desejo acontecido.
Talvez nossa chance de felicidade resida aí, resista nisso.
Nessa herança de utopia (que quase extinguimos!).
Um fio de esperança conectado ao impossível.
Enquanto houver o onírico, estamos vivos.
Aspiro respiro piro.
Louvores passos cânticos quadros ídolos e amores
são encantos que convivem nesse espaço-tempo íntimo
e, simultaneamente, coletivo.
Existem enquanto sinto/sentimos.
Dar luz às palavras dar asas ao som viajar no delírio.
Pra que serve um verso uma melodia
em meio a mais um dia difícil e pesado, real ou fictício.
Que ofício bonito é esse com que brinco.
Malabarista de palavras e labores misturo eras povos destinos.
Lugares onde o velho é menino.
Arte é o momento eterno na pele do sentimento.
Se você não captou o que está escrito, nada foi dito.
Se não soube ser solidário se não ouviu meu grito,
não houve história e tudo é silêncio.
O amor é um criador de movimentos.
O sonho é um alimento.
A arte é um meio.
Dizem que não serve pra nada
nonada manada
coisa sem utilidade.
Mas vá dizer isso tudo sem arte.

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TRABAIA, TRABAIA, NÊGO

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Semana passada teci comentários visionários sobre a relação trabalho/previdência. Quem não leu, leia aqui. Sobre o tema, minha sempre atenta amiga Silvia Maria (a quem agradeço as muitas contribuições), me mandou o trailer do novo filme do Ken Loach, ‘Eu, Daniel Blake’, que também nos mostra o quanto os trabalhadores são maltratados e humilhados pela engrenagem que gera lucros e benefícios para uns poucos.
Eis a sinopse: ‘Após sofrer um ataque cardíaco e ser desaconselhado pelos médicos a retornar ao trabalho, Daniel Blake busca receber os benefícios concedidos pelo governo a todos que estão nesta situação. Entretanto, ele esbarra na extrema burocracia instalada pelo sistema, amplificada pelo fato dele ser um analfabeto digital. Numa de suas várias idas a departamentos governamentais, ele conhece Katie, a mãe solteira de duas crianças, que se mudou recentemente para a cidade e também não possui condições financeiras para se manter. Após defendê-la num guichê de uma repartição pública onde ela foi insultada, Daniel se aproxima de Katie e passa a ajudá-la.’
Além do trecho desse filme, posto abaixo uma canção do grande Gonzaguinha, que aborda um outro lado do problema (sempre aproveitado de forma oportunista pelo patronato): o desemprego e o exército de mão-de-obra excedente.

 

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AS CANÇÕES DE

PÉRICLES CAVALCANTI

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pericles2

Se não me engano, foi meu querido amigo João Marques quem primeiro me alertou para a beleza das composições do Péricles Cavalcanti. Lembro dele desde os anos 1970, quando ouvia suas músicas nos discos da Gal (Quem Nasceu) e do Caetano (Elegia, Blues e Musical). Mais recentemente, Adriana Calcanhotto gravou algumas também. Péricles, costuma criar músicas para versos alheios, mas, além de ótimo melodista, é um belo poeta também:

BLUES
(Péricles Cavalcanti)

Tem muito azul em torno dele
Azul no céu azul no mar
Azul no sangue à flor da pele
Os pés de lótus de Krishna

Tem muito azul em torno dela
Azul no céu azul no mar
Azul no sangue à flor da pele
As mãos de rosa de Iemanjá

Os pés da Índia e a mão da África
Os pés no céu e a mão no mar.

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Compositor versátil, Péricles trabalhou nas montagens de peças do Asdrúbal e do Oficina, além de musicar poemas e transcriações dos geniais poetas Augusto e Haroldo de Campos. Em 2012, saiu um cd superlegal com cantoras da nova geração interpretando suas belas canções: ‘As Mulheres de Péricles‘ (lá tem Céu, Blubell, Tiê, Tulipa, Anelis e Laura Lavieri, entre outras). Em 2013 lançou o cd Frevox e, recentemente, divulgou na net ‘Vantagens Evolutivas’, que posto abaixo, junto com ‘Negro Amor’ (na voz de Karina Buhr), versão que ele e Caetano fizeram para uma levada estranha de um tal de Bob ‘Nobel’ Dylan. Péricles precisa ser mais tocado, merece ser mais ouvido.

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DUAS FESTAS
PRA ESSA SEXTA

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trinca

Sexta-feira – 30 de dezembro – 21h … Pré-réveillon do Trinca … Super festa de despedida de ano com o TRINC4 (Léo, Beto, Farol e Jane do Bandolim) tocando os grandes clássicos da história do rock. No lendário ponto de encontro dos roqueiros da ZN: o Lê Rock Bar, à rua Chico Pontes, 1791, na Vila Maria.

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Sexta-feira – 30 de dezembro – 23h … FESTA – PAVÃO Misterioso – na Nossacasa … Vai rolar som de Alceu Valença, Zé Ramalho, Secos e Molhados, Tom Zé, Gil, Caetano, Os Mutantes, Novos Baianos, Gal, Jorge Benjor, Raul Seixas, Doces Bárbaros, Jorge Mautner, Geraldo Azevedo, O Grande Encontro e outras delícias da música brasileira. E mais os djs Marina Caires, Jonatha Cruz (Obá) e Jana Abaeté. Entrada R$15. Na NossaCasa Confraria das Ideias, à rua Mourato Coelho, 1032, na Vila Madalena.

 

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PIERRE BAROUH

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Morreu nesta quarta (28/12), o ator, compositor e cineasta francês Pierre Barouh, que criou o selo musical Saravah, onde divulgou artistas brasileiros durante os anos 1970, na Europa. É dele o precioso documentário (‘Saravah’, também) lançado em 1969, no qual aparecem Pixinguinha, João da Bahiana (a cena com ele, no minuto 15:30 é antológica), Bethania, Paulinho da Viola, Marcia e Baden Powell. Aqui, o filme, na íntegra,  e abaixo, um trecho com os jovens Bethania e Paulinho (e o próprio Barouh), cantando numa mesa de bar. A ele, essa pequena lembrança, como sincera homenagem.

 

 

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O VÍDEO DO COOPERIFA

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Desejo a todos boas festas de final de ano e um 2017 repleto de amor, arte e amizade, mas não nos esqueçamos: ‘raiva é fundamental’. Vejam que lindo esse vídeo produzido pelo pessoal do Cooperifa, com pessoas de vários pontos do País declamando o poema do Sergio Vaz, ativista cultural e um dos organizadores do famoso sarau. Com direção de João Wainer e arte de Rita Wainer, o vídeo tem participação de Emicida, MV Bill e Roberta Estrela D’Alva, além de muitos anônimos. A mensagem é franca, direta e passa bem longe das hipocrisias natalinas, comerciais e daquele espírito ‘bonzinho’ dos religiosos de araque.

 

“Este ano vai ser pior…
Pior para quem estiver no nosso caminho.

Então que venham os dias.
Um sorriso no rosto e os punhos cerrados que a luta não para.
Um brilho nos olhos que é para rastrear os inimigos (mesmo com medo, enfrente-os!).
É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos.
Acenda fogueiras.
Não aceite nada de graça, nada.
Até o beijo só é bom quando conquistado.
Escreva poemas, mas se te insultarem, recite palavrões.
Cuidado, o acaso é traiçoeiro e o tempo é cruel, tome as rédeas do teu próprio destino.
Outra coisa, pior que a arrogância é a falsa humildade.
As pessoas boazinhas também são perigosas, sugam energia e não dão nada em troca.
Fique esperto, amar o próximo não é abandonar a si mesmo.
Para alcançar utopias é preciso enfrentar a realidade.
Quer saber quem são os outros? Pergunte quem é você.
Se não ama a tua causa, não alimente o ódio.
Por favor, gentileza gera gentileza. Obrigado!
Os Erros são teus, assuma-os.
Os acertos também são teus, divida-os.
Ser forte não é apanhar todo dia, nem bater de vez em quando, é perdoar e pedir perdão, sempre.
Tenho más notícias: quando o bicho pegar, você vai estar sozinho. Não cultive multidões.
Qual a tua verdade ? Qual a tua mentira?
Teu travesseiro vai te dizer. Prepare-se!
Se quiser realmente saber se está bonito ou bonita, pergunte aos teus inimigos, nesta hora eles serão honestos.
Quando estiver fazendo planos, não esqueça de avisar aos teus pés, são eles que caminham.
Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça.
Muito amor, mas raiva é fundamental.
Quando não tiver palavras belas, improvise. Diga a verdade.
As Manhãs de sol são lindas, mas é preciso trabalhar também nos dias de chuva.
Abra os braços. Segure na mão de quem está na frente e puxe a mão de quem estiver atrás.
Não confunda briga com luta. Briga tem hora para acabar, a luta é para uma vida inteira.
O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você.
Feliz todo dia!”

 

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BEIJOS E ABRAÇOS.

ATÉ O ANO QUE VEM!

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