Lembro-me do meu carnaval do ano passado. Rio de Janeiro, dias de sol, blocos lotados, flores nos cabelos, amigos queridos, cerveja gelada. E ele, personagem importantíssimo nessa história: o banheiro feminino.

Lugar tradicionalmente sagrado, lotado e disputado, mas que no carnaval ganha contornos que vão além do circuito xixi-maquiagem-fofoca. No carnaval ele é marcado por choros embriagados e sentimentos de culpa.

Era impressionante. Não havia uma vez em que não houvesse alguma mulher borrando seu rímel e balbuciando expressões como “eu não devia”; “e agora?”; “o que foi que eu fiz?” para as amigas que as cercavam. A cena se repetia todos os dias até a quarta-feira de cinzas.

Há algumas mulheres absolutamente bem resolvidas, que não sofrem desses males, mas essas eu mal conheço e não têm razão alguma para ter aberto esse texto. Para as pobres mortais, rol no qual me incluo, a culpa é uma eterna companheira, em todos os dias do ano. Comi demais, bebi demais, suei demais, amei demais.

A questão é a seguinte: onde estão os homens enquanto nós temos crises carnavalescas no banheiro? Estão aproveitando o carnaval! São só 4 ou 5 dias, eles estão certíssimos! A diferença é que o mundo contribui para que eles se divirtam sem culpa e com leveza, já conosco não é tão simples. O inconsciente coletivo nos joga de volta para o banheiro e para o rímel borrado. Cabe a nós virar o jogo.

Cabe a nós enxergar que nossos atos dizem respeito somente a nós, que dançar até o chão, exagerar um pouquinho na dose e namoricar por aí não nos torna melhores ou piores do que qualquer outro ser humano. A verdadeira mulher que “se dá o respeito” é a mulher que respeita suas vontades.

Então vai, menina, aproveite seu carnaval! Seu direito de se jogar é o mesmo de qualquer cara! Seus desejos são tão imperativos quanto os deles.  Divirta-se, permita-se.

Cuide-se, é claro. Não conte com a sorte, nem com a pílula do dia seguinte, nem com promessas de que é só com você. Fora isso, o mundo é seu. Pare de lançar um olhar crítico de terceiro sobre você. Pare de, ainda que de forma inconsciente, se olhar com olhos machistas no reflexo do espelho do banheiro.

Você tem o direito de ter um carnaval lindo. Com cerveja, com cem beijos, com sambão, com sambódromo, com frituras, com fartura, com marchinhas, com mais vida, com amigas, com amores, com dogão prensado, com atos impensados, com vontade, com verdade, com muito, com tudo.

Vamos! Não tenha vergonha do samba no seu pé, nem da camisinha na sua bolsa. Não esconda os desejos do seu peito, nem o sorriso da sua cara. Cervejinha gelada na mão,  culpa e machismo no passado.

E vai, menina, aproveite o seu carnaval porque a vida é sua e a vida é uma só!

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