Diariamente somos bombardeados com dezenas- senão centenas- de questões. Há perguntas que não sabemos responder. Há perguntas que não queremos responder. Há perguntas que nós só devemos responder na presença do nosso advogado. E há algumas outras coisas que só podem ser respondidas da presença de uma amiga. Simples assim.

 

Qual o número de habitantes de Nairobi? Não sei responder.

Qual o seu peso atual? Não quero responder.

Você estava presente no momento do crime? Só respondo na presença do meu advogado.

Oi sumida, como vc tá? Só respondo na presença da minha melhor amiga.

 

Há uma série de questões que não são seguras para se responder passando apenas pelo nosso crivo de bom senso. É preciso que haja uma outra pessoa, com ainda menos bom senso, para orientar as nossas respostas. Frequentemente a ajuda de uma amiga só piora as coisas, mas fazer isso sem elas nunca será uma opção.

 

Um exemplo típico é quando um ex namorado, ex peguete, ex crush ou ex marido renasce das cinzas e manda mensagens medonhas, intimidadoras e desrespeitosas como “Oi, tudo bem?”. Não há qualquer hipótese de respondermos uma aberração dessas sem uma consulta prévia.

 

A situação se agrava um pouco quando o tema é debatido não apenas com uma amiga, mas com um grupo, gerando correntes doutrinárias diversas acerca do teor da resposta- havendo frequentemente grupos dissidentes que sustentam que nem deve haver resposta para uma mensagem assim.

 

Em alguns momentos raros, optamos por responder diretamente, sem respeitar os trâmites previstos no organograma da amizade, que garante a necessidade de dupla revisão de qualquer mensagem a ser enviada. Nesses casos, quando as amigas ficam sabendo do desrespeito de tal norma, ocorrem debates calorosos, geralmente iniciados por MAS Ô SUA IMBECIL PQ Q VC NÃO FALOU COMIGO ANTES DE RESPONDER SUA IDIOTA.

 

Outra situação frequente de pergunta que só respondemos depois da análise do corpo consultivo de amigas é no cabeleireiro. Quer deixar franja? Quer clarear as pontas? Quer repicar mais um pouco? Peraí Sr. Cabeleireiro, que eu só posso responder essas questões na presença da minha melhor amiga, mesmo que seja via satélite.

 

Em alguns casos mais extremos, a consulta também é feita dentro de provadores de loja, caixas de supermercado, bem como antes de responder e-mails do chefe ou do contador. Tudo é cuidadosamente analisado, inclusive no que diz respeito à sintaxe, outras questões gramaticais e uso de emoji.

 

Não se trata de imaturidade ou de insegurança. Trata-se de um código de conduta, de normas morais, de irmandade, parceria. E se alguém me perguntar “mas você não pode responder isso sem pedir a opinião das suas amigas?” eu responderei com orgulho que só posso responder essa questão depois de perguntar a opinião das minhas amigas. Me julguem.