Sempre fiquei um pouco impressionada com aquelas pessoas que dizem, com uma voz inabalável, frases sólidas de certeza absoluta sobre amor e relacionamentos. Aquelas que dizem “meu casamento é para a vida toda”, “fulano é o homem da minha vida”, “sem dúvidas vou morrer ao lado dela”. Sinto um misto de inveja, incômodo e admiração. Chega a ser confuso.

 

Me perguntava se sou inconsistente, se sou covarde ou se meus amores foram excessivamente vulneráveis ao longo da vida. Nunca me senti segura o bastante para afirmar categoricamente que o outro me amaria até o fim dos tempos, nem nunca fui invadida pela serenidade de quem não vê qualquer tipo de risco no amor que vive, vendo o futuro como um oásis.

 

Foi então que comecei a notar: quanto mais as pessoas amam, e quanto mais sincero é esse amor, mais dúvidas elas costumam ter. Certeza demais costuma não combinar com os relacionamentos de verdade. Dizem que nos amores terrenos- esses de todo dia e não os das telas de cinema, com pirotecnias e grandes espetáculos- as pessoas costumam ter dúvidas.

 

Existe uma longa distância entre querer que seja para sempre e ter certeza de que é realmente para sempre. Porque há dias em que a gente olha para o outro e pensa “meu Deus do céu, que pessoa chata, como é que eu aguento?”. Não se trata de duvidar do próprio amor, mas de, por vezes, simplesmente não ter aquela serenidade de que tudo estará sempre bem.

 

Reparo que as pessoas se culpam por ter dúvidas. Que confundem os questionamentos naturais que visitam um relacionamento com um desmoronar de uma relação. Tem dias em que tudo parece lindo e o futuro parece alegre e certo. Mas o fato de, um dia ou outro, a gente não está com a tranquilidade total de que irá comemorar bodas de ouro, não quer dizer que nosso amor seja pequeno.

 

Pode ser que haja gente que ama e consegue caminhar tranquilamente numa estrada de certezas. Mas não é a regra. E ter dúvidas não torna nenhum amor menor. Pelo contrário, é sinal de que há vida, contato, paixão. É sinal de que vive-se o avesso da indiferença.

 

Não há nenhum problema em se perguntar “será que isso vai dar certo?”. O problema é confundir dúvida com derrota e jogar a toalha por conta dos altos e baixos que são naturais em todas as relações. Não é nosso amor que a gente questiona, é o dia a dia. O amor segue na boa, renovado a cada vez que percebemos que, apesar dos pesares, aquela pessoa segue valendo a pena.