R de Roberta Close

 

O machismo gosta muito de certas ignorâncias. Gosta de achar que gay, transexual, transgênero, travesti, drag queen é tudo uma coisa só, que eles denominam sabiamente de “pouca vergonha”. Roberta Close, Tammy Gretchen, Lea T, Pablo Vittar, Vera Verão, não importa. O machismo não quer saber qual a diferença, qual a situação, muito menos como lidar com elas. Viado e traveco, simples assim. Tudo a mesma merda, segundo esses eruditos.

 

 

S de Seu marido é rico né?

 

O machismo presume que toda mulher em boa situação financeira ou tem um pai rico, ou tem um marido rico. A hipótese de que ela (ou a mãe dela) tenham construído um patrimônio é praticamente nula. Soma-se a isso uma série de expressões como “golpe do baú”, “golpe da barriga” e “maria chuteira” que surgem para enraizar ainda mais a ideia de que a mulher, além de incompetente para ganhar dinheiro é uma grande oportunista. Claro, né?

 

T de Teste do sofá

 

Teste do sofá é apenas mais uma das expressões que o machismo encontrou para encobrir situações de assédio sexual ou de estupro. Test drive também aparece às vezes. Tudo em tom de brincadeira, como se não houvesse constrangimento. Ou pior: sabendo que há constrangimento e definindo que a vontade da mulher simplesmente não importa.

 

U de UFC

 

Andando de mãos dadas com machista futebolístico, está o machista das lutas. O primeiro não acredita que uma mulher saiba o que é impedimento, o segundo acha que mulher e luta não combinam. Assistir UFC? É claro que elas não querem. Lutar? Muito menos. Vai fazer ballet, jogar vôlei, natação no máximo. Luta é coisa de homem. Mal sabem eles o tanto que a gente sabe sobre essa brincadeira de lutar.

 

V de Vaca, Vadia, Vagabunda

 

Qualquer um desses xingamentos nos remete diretamente à vida sexual de uma mulher. Todos eles acusam uma mulher de transar muito. O machismo adora homens que transam muito. Quanto mais melhor, preferencialmente com parceiras diferentes. O machismo admira e respeita. Mas o machismo não suporta mulheres que transam. Nem muito, nem pouco, nem com o mesmo parceiro, nem com vários. Mulher boa não transa. No máximo satisfaz a vontade do marido. Se não for assim é- obviamente- vaca, vadia, vagabunda.

 

X de Xarope, Histérica, Desequilibrada

 

O machismo também tem muita necessidade de convencer uma mulher de que ela não regula bem das ideias. Se estiver deprimida é drama, se estiver exausta é desequilibrada, se surtar é xarope, se for agressiva é histérica. Nunca é um problema relativo ao trabalho, à família ou ao casal. Ninguém tem nada para melhorar. É a mulher que é problemática, exagerada, insuportável. É sempre a mulher que está errada.

 

Z de Zona

 

O machismo adora a prostituição. Mesmo. Acha indispensável a existência de prostitutas, de prostíbulos, casas de massagem e figuras como Oscar Maroni. A única coisa na qual o machismo não pode ouvir falar é da regulamentação da prostituição como profissão. Imoral! Nojento! Coisa dessa gente de esquerda! O machismo adora as putas. Desde que elas se mantenham inseguras, miseráveis e vulneráveis. Senão é indecente e inflaciona o mercado.