Outro dia me deparei com um meme que dizia isso. Na verdade ele não dizia “filho da mãe”, mas, por razões de bom senso, não devo repetir a versão original no jornal. Enfim, achei curioso e pensei em escrever sobre o assunto, mas achei um tema um tanto quanto adolescente.

 

Depois, pensando melhor, cheguei à conclusão de que o tema, de adolescente, não tem nada. Isso porque é exatamente na infância e na adolescência que nós temos a possibilidade de ser e de deixar de ser amigo de alguém sem que haja qualquer tipo de justificativa plausível para tanto.

 

É nessa fase da vida que podemos ser imaturos a ponto de nos aproximar de alguém sem saber bem o que estamos fazendo e de, na sequência, nos arrependermos ou mudarmos de ideia sem mais nem menos. Até ontem fulano era meu grande amigo, hoje já não é mais.

 

Mas quando somos adultos a coisa muda. Nossas amizades, ou vem de longa data, ou são frutos no nosso maduro livre arbítrio. Conhecemos as pessoas, sabemos analisar se é ou não alguém que tem a ver conosco, se é ou não alguém legal, se vale ou não a pena abrir um espaço na nossa concorrida vida com tão pouco tempo disponível para as pessoas. Nós sabemos o que estamos fazendo. Não temos mais 11 anos de idade.

 

E, a partir do momento em que abrimos as nossas portas para alguém que decidimos chamar de amigo, um laço verdadeiro se cria. Não estou falando de colega de trabalho, de parceiro de balada, de brother do brother. Estou falando de amigo. De gente com quem nós nos abrimos, de pessoas que ouvimos com calma, que acolhemos nos nossos dias, com quem partilhamos angústias e dividimos ideias, medos e garrafas de álcool.

 

Quando somos adultos, não há espaço para ex-amigos. É claro que existem pessoas de quem nos afastamos, seja por distância, por interesses divergentes, por falta de tempo. Mas esses não são ex-amigos. São amigos com quem não temos muito contato. Não há mágoa, não há história mal contada. Há apenas a força do tempo.

 

Quando temos 5, 8, 12 ou 15 anos, podemos dizer “fulano não é mais meu amigo”. Mas quando temos 24, 35, 48 ou 67 só dizemos “fulano não é mais meu amigo” quando algo muito grave acontece. Quando há quebra da confiança, sacanagem com dinheiro, falta de honestidade, problema sério com trabalho, ausência num momento indispensável ou traição de qualquer espécie. E quem faz esse tipo de coisa, não se chama amigo. Chama filho da mãe.

 

Por isso, quando somos adultos, só existem três tipos de pessoas: as que são nossas amigas (mais próximas ou mais distantes), as que nunca foram nossas amigas e os filhos da mãe. Não há outra classificação possível. Ex amigo, de fato, é algo que realmente não existe.