Bom dia,

 

Estamos aqui, nesta quarta-feira, 28 de dezembro de 2016, de roupa social, atrás de um computador, parcialmente mal humorados, tentando trabalhar. Sim, tentando trabalhar, porque isso não está sendo uma tarefa fácil neste momento.

 

Estamos no limbo. 2016 deixou de existir desde o natal e 2017 só pretende dar as caras depois do dia 31. Estamos nesse momento inútil no qual ninguém começa projeto, ninguém encerra projeto, ninguém faz novos contatos, ninguém tem novas ideias brilhantes.  Mesmo assim, temos que trabalhar.

 

Vez ou outra abrimos as redes sociais para tentar nos distrair para aguentar mais algumas horas e eis que surgem as fotos. As cruéis fotos. As odiáveis fotos. Pessoas de biquíni, pessoas de chinelo, pessoas de óculos escuros. Estrada, praia, mar, sol, bermuda. Cerveja, picolé, churrasco, caipirinha.

 

Eu não sei bem o que sinto. Poderia me limitar a dizer que é uma invejinha. Uma vontade de acompanhá-los nesses passeios tão maravilhosos. Mas não, nosso coração não está conseguindo ser tão maduro ou tão generoso. E o recado acaba sendo outro.

 

Gostaria de dizer a vocês, meus amigos que estão em Maresias, em Salvador, no Guarujá, em Ipanema, em Juqueí, em Trancoso, em Florianópolis ou em qualquer lugar lindo onde se use pouca roupa e não haja nenhum computador e nenhuma impressora por perto, que eu infelizmente desejo que:

1) Um caranguejo imenso esteja embaixo da sua cadeira e belisque sua bunda;

2) Seu queijo coalho venha cheio de fuligem;

3) Do seu lado tenha uma família cheia daquelas crianças que arremessam quilos de areia na sua cara quando correm;

4) Sua cerveja esteja quente e que a pessoa que for servir não incline o copo;

5) O mar esteja gelado e com umas 3 águas vivas mortas boiando;

6) Seu picolé seja daqueles que derreteu e depois congelou de novo, que fica todo deformado e grudado no papel;

7) O moço da barraca de milho não tenha troco para a sua nota de 20;

8) Do seu outro lado tenha duas amigas cafonas que cantam Maiara e Maraisa aos berros;

9) Um vendedor de canga pare bem na sua frente, tapando o sol e fique insistindo 18 minutos para você comprar uma canga verde limão com estampas laranja;

10) A maré suba quando você estiver cochilando e molhe todas suas coisas, arraste seu chinelo e você tenha que sair correndo atrás dele na água gelada.

 

Eu não te desejo uma insolação, nem um camarão estragado, nem que caia uma tempestade horrorosa. Essa é toda a generosidade que me restou nessa semana. Desculpe qualquer coisa, mas a culpa não é minha. A culpa é do sistema e das fotos que você postou no instagram. Beijo e divirta-se.