Cá entre nós? Eu sou viciado. Pronto, confesso, sem nenhum acanhamento de que, assim como existem tantos outros por aí, eu descobri que faço parte de uma legião que perdeu a batalha e se rendeu ao inimigo. Por isso, como usuário ativo, serei bem truta dos caras que ainda acham que a maconha tá na moda e aviso: “Bixo, vocês tão por fora”.

O ecstase? Pfff, também não tá com nada. Acontece que a química está obsoleta e a ideia de trazer o vício em comprimidos, pastilhas, cigarros e seringas está igual a comprar CD. Quem mais faz isso? Os laboratórios químicos enfeitados com tantos recipientes de nomes difíceis contendo líquidos multicoloridos deram lugar aos laboratórios sem nenhuma louçaria e um tom monocromático, onde o que se vê é só computador.

É dali, de conversas faladas no idioma binário, que saiu o novo ópio da humanidade, a maconhazinha dos universitários estendida, agora, até pra gente mais grossa, tipo o presidente da República. Me refiro, meus amigos, ao Google.

Lembro de quando comecei. Os tempos eram outros, quando eu ainda era acostumado a fazer pesquisa escolar debruçado sobre a Barsa, cuja coleção coloria a estante de livros que minha avó também usava para montar o presépio no Natal. Depois disso, vieram o Cadê e o Altavista na internet, com os quais nunca me afinei muito bem, talvez por causa do nome, ou por conta de trazerem mais coisa escrita que figurinhas (aquilo que eu, pelo menos, encontrava na coleção pré-histórica da dona Aparecida).

Os tempos mudaram e as pesquisas começaram a ficar mais cabeludas, tipicamente daquelas cuja resposta não consta nem no rodapé de enciclopédias ancestrais. Os cientistas dos laboratórios sem decoração, mostrando que para ser cientista bom não se precisa de tubos de ensaio ou de frascos com nomes feios, lançaram, em resposta ao apelo do corpo discente enjoado de maconhazinha barata e encurralado nos dias de pesquisa, o Google.

Abandonei a Barsa. Pus o Google nos “favoritos” do PC e, em caso de qualquer dor de barriga, ia lá. É um clique aqui, outro ali, digitar no campo de busca e vvvrrrrrumm: uma imensidão de achados [até pré-históricos, como a Barsa] num único clique.

Para se tornar vicio foram dois passos: era fácil e dava barato. Tudo dependia de um bom faro investigativo na hora de escolher a palavra chave e o clique no mouse. Pronto, o Google pegou, virou ferramenta que ilumina nossos dias de eternos ignorantes, que começamos a achar em tudo um bom motivo para recorrer a ele.

Bota lá o seu nome, vê no que dá! Ou: escreva no Google Imagens “Amarilda da Rua Treze”, é um espetáculo de formas.

Cá entre nós? Você também é viciado, né? Suspeitei, eu duvidava  que você não fosse ver, depois de ler esta crônica, quem diabos é a tal da Amarilda da Treze. Não se preocupe. Além de nós dois, leitor, há muita gente que preferiu o Google à maconhazinha que é a Barsa.