“Meu amor,

lá se vão quatro anos. Parece que foi ontem, né? Um tempão já repleto de nós, eu e você, você e eu, imergindo nas madrugadas com nossos desentendimentos que nunca acabam. Tormentas que, no início, pensei que passassem, mas que só agora percebo que não passam, nem vão passar. Tendem a ser uma constante, que irrita, que provoca, que perturba, que persegue.

Ia pedir um tempo, embora nunca tenha entendido direito como pedir uma coisa dessas a alguém. Temos ao nosso dispor todo o tempo do mundo. É só vir e usar da forma que lhe for mais conveniente, sem depender da autorização de ninguém. Algumas coisas são mais do que públicas. São naturalmente nossas.

Então não vou pedir nada. Ou até peça: quero sua compreensão. Que entenda, pelo bem, ou pelo mal, que foi bom enquanto durou. Sabíamos que isso podia acontecer. Começamos, sabendo desde o início do risco que podia acabar. Se não acabasse, seria nossa realização, nossa utopia. Se se esgotasse, seria uma boa experiência da vida, como tantas outras que o porvir nos reserva.

Não que não tenha sido verdadeiro, ou faltado entrega. Diria até que sobrou de tudo, menos, talvez, sorte. Mas se faltou até então, que não nos falte mais de agora em diante.

Vá pela sombra. Se cuida. Quem sabe até outra hora, outro dia, outro ano. Ou até nunca mais. Se for pra ser, enfrente: recomeçar faz parte”

*Queria agradecer a todo mundo que sempre acompanhou o blog. Obrigado aos leitores, aos amigos, aos colegas, aos críticos. Foi muito legal a experiência de trazer aqui, quase que semanalmente, um pouco do olhar descompromissado que a crônica tenta dar para as coisas do dia a dia. A partir de semana que vem, o blog ficará desativado. Devo continuar escrevendo, ainda só não sei onde. Quando souber, aviso todo mundo. Um beijo procêis!

E até breve!!! Valeu falous