Mulheres do meu Brasil varonil, recebam de peito aberto a efeméride deste tão afeminado dia. Mais rosa que o comum, mais perfumado que ontem, mais cheio da graça das meninas que vem e que passam no doce balanço a caminho do trabalho, do mercado, da faculdade. Do mar, aos fins de semana, se houver espaço na agenda entre a academia e a feira.

Não questionem. Deixem a mania do feminismo radical de lado, ala que volta e meia cria as maiores picuinhas que nós, homens, nunca vamos entender. Aliás, mais um pecado que nos tira o altar e, por tabela, o espaço precioso do rodapé do calendário. Justo, eu diria. Assim, cuecas pálidas, o máximo a que chegaremos serão nas marginais lembranças de um informativo bancário, ou quando muito constatarmos nossa existência no bem educado mural de pendências financeiras do bar do Aristides.

O lance do Dia Internacional das Mulheres é pura antropologia. Mulheres são celebradas pois são o que são. Ou – melhor – porque passaram a ser. Homens foram. E ainda são o que foram, vão continuar sendo o que foram, ficarão na chata mesmice, no ranço do pretérito para lá do mais que imperfeito. Criaturas tortas de tão retas, vendo que de lá para cá nada mudou: cabra dos machos, se for da pura estirpe, sempre foi do tipo protegidinho. Engana ninguém se disser que pastou na vida, oh raça dramática. A verdade? Que suou o suficiente para não cair de vez na marvada, fez suas descobertas para ter do que se gabar depois e pronto, num processo indolor. Machos de araque, porque escaparam de muita luta, várias vezes até por nem terem motivos para auê.

Só fico pensando nas mulheres, pobres fêmeas cujo sedutor corpanzil sempre teve que suportar o peso da armadura. Se não teve macho para briga, lá estavam elas, duronas enrustidas atrás de maquiagens, esmaltes e quetais.

O hiato evolutivo que ficou entre nós, eu e você, leitora – você evidentemente à frente do meu tempo – justificam o propósito da homenagem. Aceite o modesto tributo dos mancebos atolados no mangue temporal da vida, é um pedido encarecido num raro momento de humildade viril. Tudo bem, a gente mal entende a psicologia feminina, ela é complexa demais e então ficamos de chororô. Mas entendam: vocês são o que nunca fomos. Comemorem, se não por vocês, por todos nós, reles machos.