Ilustração: Felipe Blanco

E agora, José? E agora Maria, Thiago, Cláudia, Patrícia? Bruno, e agora? Como faz agora que Copa acabou, a gringaiada vazou e levou com ela a taça e a felicidade que, junto com a nossa, moveu o País neste mês?

 

Agora a vida segue. Chegou a hora de arrumar a casa, limpar os móveis, recolher os confetes, juntar os cacos, lembrando que é preciso fazer tudo isso na vassoura, não no esguicho. Porque é bom voltar a lembrar que o que acabou, por enquanto, foi só a Copa. A água ainda não, embora esteja quase.

 

Precisamos dar um jeito neste nosso temperamento, antes que os yellowblocs voltem para o lado negro da força, destruindo tudo de novo: bancos, metrôs, desta vez até os estádios novinhos em folha, construídos com um dinheiro que ninguém sabe ao certo de onde veio. Mas quem se importava com isso? A Copa ia começar. Era preciso trocar as máscaras pelas camisas verdes e amarelas,  engolir o chororô, cantar o hino com força. Quem não se conteve, mandou a Dilma tomar naquele lugar.

 

Triste será se tudo voltar a ser como era antes. A Copa não teria valido de nada, senão para ter sido um evento igual a outro qualquer, que passa deixando só saudade. Saudade que é boa, mas não suficiente nesse caso. Precisaria também que a alegria prevalecesse, a despeito de qualquer sete a zero, da teimosia do Felipão, da supremacia brasileira perdida no futebol. A mesma alegria que víamos em dia de jogo da Bósnia, Grécia ou Irã.

 

Já não teremos mais os jogos onde apoiar nosso desejo procrastinador. Textos deverão ser escritos, a louça lavada, o quarto arrumado. Que façamos tudo então ao menos com um sorriso no rosto. Sambando. Com alegria não só nas pernas, como Bernard. Mas em tudo. Precisamos dar um “xô” no mau humor dos tempos de pré-Copa uma vez por todas. Aos que resistirem, que fiquem à vontade. Só uma sugestão: as eleições vêm aí.

 

Aos que não, só posso dizer que a vida segue. Os gringos não levaram toda a felicidade que brota incessantemente dessa terra. Ficarão aqui as boas recordações, os estádios monumentais, o título de termos sido o País anfitrião da melhor Copa de todos os tempos. Com um probleminha aqui, outro ali, mas quem é perfeito?
E agora? Agora é torcer pelo brasileiro. Que ele consiga admitir que, apesar de tudo, foi uma Copa legal. Primeiro isso, depois limpar a bagunça. Se der, depois, a gente vê se dá para repensar a seleção brasileira. Qualquer coisa diferente pode manter a gente na mesma de sempre: rabugentos e eternamente pentacampeões.