Ao lado das ciências obscuras – da álgebra, da geometria, da física e da química – de todas as que lidam com leis, teoremas e fórmulas, coloco também as mulheres. Ponho-as ali pelo simples motivo de que, tal como essas monstruosidades que misturam letras e números numa linha, as mulheres, como as fórmulas, servem pra ser fagocitadas pelo cérebro, sem que a gente as entenda nos detalhes. Nem tente, poupe-se – é conselho de amigo.

Atribuo a elas o mesmo grau de incompreensão de quando me foi dito que a soma dos quadrados dos catetos é igual à soma do quadrado da hipotenusa. Apesar de ter sempre confiado na mágica da fórmula de Pitágoras, confesso que nunca entendi patavinas dela.

O mesmo digo para as mulheres, verdadeiras incógnitas encarnadas em beldades da raça humana, que podem variar num universo de morenas, loiras, ruivas; de olhos esverdeados, amendoados, negros; que sejam magrinhas, gostosas ou gordinhas. E o pior é que para todas elas, Pitágoras, Tales e Arquimedes não resolveram absolutamente nada.

Mulheres são tenebrosas equações de 5º grau inseridas num exercício de estequiometria envolvendo a dinâmica de moléculas de Plutônio na superfície de Saturno. E isto se aplica a ‘n’ situações: seja quando precisam escolher uma roupa pra um churrasco de domingo na casa da prima, seja durante seus clamores por romantismo que nós homens abdicamos de nossa cultura.

Roberto Carlos e Fábio Junior não marejam mais os olhos de casais apaixonados como na época da brilhantina de nossos pais. Da mesma maneira que não se veem mais como antes amantes que curtem do bom e velho jantarzinho à luz de velas, enquanto, entre os goles de vinho, dançam “Como é grande o meu amor por você”, do rei.

Quanto a isso, as mulheres estão cobertas de razão: o romantismo, algo que sempre costumou ser da alçada masculina, está entrando pra lista de raridades, em desuso, ao lado da mesóclise e de alguns jargões.

Mas por outro lado eu também saio em defesa dos homens – não de todos, só dos românticos que, assim como mesóclise e gírias antigas, ainda existem. São poucos. São discretos. Mas ainda existem.

Encontrar um por ai está como encontrar agulha no palheiro: demora – pode ser por isso que muitas damas se desolam no meio dessa expedição em busca de seu príncipe, mesmo até que ele tenha substituído o alazão branco por uma motoca.

O problema, no entanto, não é a busca, muitas vezes aparentemente desenhada sem um fim que se aviste. Tem fim sim, e é justamente nele que está o verdadeiro problema que inviabiliza enquadrar as mulheres nos domínios de nós homens, sejamos pitagóricos ou meros mortais – como eu e receio que quase todos os  cuecas do planeta.

Não dá pra encontrar o X da questão quando, num espasmo de alívio, a donzela acha ter chegado ao seu “feliz para sempre”. Às vezes, ela cai nesse abismo místico que foge de nossas explicações, alegando que não estava com estômago para romantismo. Ruim pra todos nós: qualquer hora dessas, a espécie dos românticos tomará chá de sumiço, na medida em que formos percebendo que, nos finalmentes, a mulher vira uma equação cabeluda ainda a ser resolvida. Enquanto isso, nos resta esperar pelo próximo gênio.