arte: loro verz

Tchau, até logo, adeus, nos vemos, falou, abraço, beijo; sem mais. Era mais ou menos assim que eu costumava encerrar as minhas conversas – a depender da situação, a depender do interlocutor. A entonação era, claro, fundamental. Conforme o acento, conforme o molejo, compreendia-se que o próximo encontro estaria logo ali à esquina, ou quem sabe além do horizonte dos fenômenos previsíveis ou desejáveis. À sorte ou ao nunca mais. Passar bem.

Logo descobri as cartas – na mesma época em que descobri a paixão – e tomei gosto por escrevê-las. Mandava-as para parentes, amigos, namoradas. Todas devidamente encerradas por expressões como “saudades”,  “mande notícias”, ou, se mais formal, “atenciosamente”. E um abuso de pontos de exclamação.

Foi a mesma história com o e-mail, a carta virtual. Circulavam inclusive, à época, guias de etiqueta a respeito de como iniciar e como encerrar um e-mail para os mais diversos públicos. Era, portanto, assunto seriíssimo, nos idos dos anos 90.

Mas então surgiram os SMS e, logo, os chats instantâneos, à moda do WhatsApp.

E, com eles, desapareceram as mensagens de despedida.

As conversas agora são subitamente interrompidas – e isso não parece incomodar a muita gente, exceto a uma ou outra pessoa mais sensível. O diálogo é mais pragmático, sem rodeios, sem floreios, sem flores à partida.

–      Vocês vão ao show?

–      Sim.

Pronto, a conversa acabou. Sem mágoas. Sem a necessidade de despedidas. Obteve-se a informação e a vida seguiu seu curso. (A conversa, em realidade, não terminou. Entrou numa espécie de animação suspensa. A qualquer momento o celular ou computador apita e surge mais uma frase. Horas – até dias – depois, retoma-se o assunto como se nada houvesse ocorrido. O ritmo é soluçante.)

–      Sexta ou sábado?

–      Sexta. Ela quer ver o Bon Jovi.

Nova interrupção. A próxima frase – se houver uma – pode tanto piscar na tela em menos de dois segundos como levar vários dias para surgir, na forma de um “como foi lá?”.

É um tempo sem despedidas, um perpétuo presente, um encontro permanente. A tecnologia das redes, dos comunicadores instantâneos e dos celulares portáteis colocou a todos em contato contínuo e imediato. Não existem adeuses, portanto. Quem, hoje, costuma se despedir em conversas pelo Facebook ou celular?

Não sou, contudo, nostálgico. O mundo mudou. Que mal há, afinal, na supressão de tchau, até logo, adeus, nos vemos, falou, abraço, beijo? Talvez seja mesmo melhor assim. Quem precisa de tantos adeuses? Para que tanta despedida?

E digo mais: