Coisa absurdas passam pela cabeça de todo mundo. Todo mundo. São pensamentos que só dividimos com nosso próprio silêncio, com nossos medos, nossa loucuras. Vou contar uma entre milhões. E, como estou abrindo meu coração e minha cabeça, peço um pouquinho da sua compaixão antes de me julgar uma total idiota.

Tenho uma piração com a roupa que vão vestir em mim no dia em que eu morrer.

No meu guarda-roupas tenho peças de diferentes numerações. Como já tive vários pesos e formatos na minha vida, tenho roupas de diferentes manequins. Só eu sei as que vestem bem, as que vestem mal, as que são totalmente confortáveis e as que me causam algum incômodo ou sofrimento. Sim, eu sei, por que eu teria no meu guarda-roupa uma calça apertada que me causa sofrimento? Porque além da piração eu tenho uma coisa chamada esperança de que um dia essas peças voltem a servir bem.

Tem roupas que só ficam bem quando combinadas com outras, em dias que estou de bom humor. Alguns vestidos só fazem sentido em determinados momentos. Enfim, eu tenho critérios para me vestir que são só meus, que ninguém mais no mundo sabe. É tipo uma alquimia pessoal, sou a única que sabe que elementos se juntam para não explodir. Até a roupa de baixo tem uma ciência. O sutiã certo com aquela blusa, a calcinha mais ou menos cavada, tudo tem um raciocínio torto ou inventado que é meu, só meu.

Enquanto estou viva, sou eu que administro essas pequenezas do meu dia a dia. Mas, um dia, eu vou morrer. E alguém vai me vestir pela última vez. Quem fará isso? E que roupa vai pegar? Aí começa minha paranoia.

E se essa pessoa pegar alguma roupa que eu não gosto? Ou uma combinação que jamais usei em vida? E se escolherem uma peça que não fecha direito, que só entra se eu encolher a barriga justamente nesse dia em que eu já não posso mais respirar?

Sim, sim, eu sei que todo esse texto e loucura cairiam por terra com uma simples observação:

-Cara, você morreu, pra que você vai se importar com a roupa que vão vestir em você?

A pergunta procede do ponto de vista de quem está morto, mas estou viva e a questão permanece.

Com que roupa que eu vou? Pro samba, para o qual todos nós um dia, seremos convidados?

PS – Já que tive coragem de escrever uma bobagem tão sem tamanho, fica o pedido: uma legging azul marinho super confortável, uma blusa de malha largona azul marinho também, com uma âncora bege que eu adoro, um tênis tipo slip bege. Porque nunca se sabe o que espera a gente do outro lado da vida. 🙂