Toda vez que eu viajo eu procuro encontrar nessa nova cultura alguma coisa pra trazer pra minha vida no Brasil. Estou na Tailândia e daqui já quero trazer o mini abacaxi, doce e sem acidez nenhuma, a mansidão das pessoas,  O direito à liberdade de gênero e amassagem diária.  Com lugares estão lindos massagem nos pés e budismo não consigo pensar em nada mais perto do paraíso.

Sim, tem a miséria como em todo lugar, mas tem as praias como em lugar nenhum.

Mas o que eu sinto em volta de mim a segurança e o direito de existir sem ter que provar nada pra ninguém, sem ser cobrada por ser quem eu sou. Isso é tudo que todo mundo quer. Apenas isso, o direito de se descobrir, de se transformar em quem se é verdadeiramente, sem medo do que vamos encontrar nessa jornada.

Ontem, num passeio de barco, aprendi que todos os barqueiros penduram flores na ponta de suas embarcações para espantar maus espíritos. E me perguntei: será que no Brasil o machismo permitiria que homens que trabalham em barcos pendurariam  flores?

Provavelmente, não. E aí está a tristeza. O machismo certamente faz da mulher sua vítima primária, mas a vítima secundária certamente é o próprio homem.Não poder viver sua própria delicadeza, ser privado de todo um lado feminino por assim dizer, é muito triste.

O ser humano deveria poder desfrutar de tudo que há no mundo independente de qualquer característica com a qual tenha chegado ele. O machismo, o preconceito, qualquer fator limitante para uma vida humana, não tem nenhum sentido.

Existir é a conquista de quem vive em liberdade. Fora isso nada tem sentido não adianta procurar nexo onde o ser humano não pode ser quem é.