É impressionante a criatividade do brasileiro. As melhores gambiarras, os melhores memes, os melhores trocadilhos. Não é à toa que a Internet inteira está permeada de duas frases elogiosas ao nosso povo: “o melhor do Brasil é o brasileiro” e “se o brasileiro quisesse, já tinha dominado o mundo”.

O Orkut foi o primeiro grande exemplo da aplicação desse nosso jeito especial de ser criativo na Internet. Não apenas ocupamos o site para chamar de nosso, como fizemos usos inimagináveis: para cada acontecimento ou fato político, criávamos uma nova comunidade, antecipando o que viria a ser nosso jeito de usar o Tumblr, tempos depois.

Outro exemplo de como alteramos as regras e inventamos novos usos é o Twitter. Outros países do mundo não forçam hashtags para chegar aos trending topics como fazemos. Aqui a gente se junta pra botar uma frase ou palavra em primeiro lugar de qualquer jeito. E ainda fazemos guerra com Portugal, se for preciso.

E o WhatsApp? Que outro pais rompeu com a lógica e criou um som que transcende a comunicação, o famigerado gemidão do Whats?

Os exemplos são muitos, mas o princípio é sempre o mesmo: o uso da criatividade para criar rupturas, alterar estruturas, romper com o estabelecido.

E é aí, justamente, onde mora nosso maior pesadelo. Porque somos capazes de romper com as regras, somos também muito capazes de corromper as coisas.

A corrupção é parte do nosso modus operandi, nossa cultura, nosso ‘jeitinho’. A ideia de corromper leis, regras e pessoas, passa por outra de nossas características, a sedução malemolente. Para obter um benefício que transgride a lei e nos coloca acima dela, como se fôssemos especiais e não precisássemos seguir as normas, oferecemos vários tipos de subornos para quem está encarregado de fiscalizar essas regras. Não que a corrupção seja exclusividade do Brasil, longe disso, mas aqui isso tem um tempero todo especial, porque acontece não só nas altas esferas (e como!), mas em pequenos exemplos do dia-a-dia, desde a ideia de ‘molhar a mão da autoridade’ até os cambistas oficiais de ingressos, os guardadores de lugar na fila. Até para vacinação contra a febre amarela teve gente guardando e vendendo lugar em filas de postos de saúde.

Combater a corrupção é a única saída para o Brasil. E isso implica em aprender a seguir regras que valem para todos. Significa aceitar que ninguém é melhor que ninguém e não confundir relacionamentos com cumplicidade ou formação de quadrilha. Você pode ficar amigo do bilheteiro do estádio, mas isso não quer dizer que em troca de um presentinho ele deixe você entrar sem ingresso.

Se um dia nosso povo como um todo desenvolver um amor pela democracia, respeito aos princípios éticos e abandonar de vez o desejo de ter privilégios, de levar vantagem em tudo e parar de oferecer e aceitar propinas e subornos, certamente dominaremos o mundo.

Porque, sem dúvida, o melhor do Brasil é o brasileiro. O brasileiro comum, bacana, alegre, divertido, criativo e honesto.