brasilbandeira
Não entendo nada de política. Por mais que eu me esforce para escrever bem e descrever o que penso, qualquer profissional da área vai perceber que sou amadora. Então falarei como cidadã brasileira e eleitora, apenas, sem compromisso e sem medo de me expressar.
1. É muito difícil entender o termo  ‘pedaladas fiscais‘. Parece um som, não um crime. Não tem significado visual, não dá pra imaginar a cena,  como ‘botar dólar na cueca’,’roubar merenda de criança’. O ser humano vive de simbolismos e, ‘pedalada’ só remete à imagem da Dilma andando de bicicleta. As pedaladas fiscais podem mesmo ter acontecido, mas não geram sentimentos no povo em geral. É o que eu acho e sinto.
2. O Impeachment parece uma pena desproporcional, muito grave para um ‘crime que parece invisível’. Porém, os resultados da má gestão são mais que visíveis, são sentidos na carne: o país nessa confusão, à míngua, com alto índice de desemprego, economia parada. Mesmo que a vida seja um filme e não uma foto e mais de 500 anos de história do Brasil sejam responsáveis pelo estado das coisas, não tem como negar que os 13 anos de governo do PT sejam parte determinante desse resultado.
3.Corrupção sempre existiu? Tem em todo o mundo? Sim, mas tem que acabar. Aqui é grave demais, corrupção mata, rouba a saúde, a educação. E, se é utopia erradicá-la, temos que minimizá-la, através da vigilância e punição. Vivemos tempos de transparência, precisamos ser donos dessa democracia, desse pais! O que acontece é que a corrupção tornou-se insuportável, quebrou o Brasil. O sentimento é que o PT sempre teve um plano de ficar para sempre no poder e, pra manter esse poder, fez tudo o que podia para financiar seus projetos, conseguir apoio. E, olha, eu não estou nem discutindo o mérito desse projeto, só  não acho que seja moderno ter um estado que tutela tudo e todos. Sim,  é EVIDENTE que num pais injusto como Brasil TEM QUE ter projetos de inclusão, que acabem com a miséria, que diminuam a desigualdade, que combatam o preconceito, que ofereçam COTAS para corrigir injustiças históricas. Mas discordo da intromissão que o governo quer ter na vida do cidadão. Queria MUITO saber mais sobre política para argumentar. 🙁
4. A maioria do povo não quer mais o PT no governo e, pra isso, quer tirar Dilma. Particularmente eu acho Dilma uma péssima gestora e oradora, mas tenho respeito por sua trajetória como pessoa e jamais a ofendi ou ofenderia. Eu nunca tinha ouvido falar de Dilma (ignorância minha) até o Lula indicá-la. E fico revoltada quando projetam sobre ela, apenas, toda a carga de raiva que as pessoas têm contra o partido, o Lula, o sistema. Aí, sim, acho que é abuso, machismo, grosseria.
5.A relação ‘povo e governo do PT’ hoje é , em boa parte, tipo aquela relação interpessoal desgastada, em que não tem mais amor, respeito, dignidade, nada. Você quer tanto se separar que, mesmo não sabendo onde vai morar, com quem ficam os filhos, ou nem tendo pra onde ir, você rompe pra se livrar da pessoa com quem vive, por uma questão de sobrevivência e sanidade mental. É quando você não sabe o que quer, mas tem CERTEZA do que NÃO QUER MAIS.
6. Eu tenho ojeriza de pessoas como Bolsonaros, Malafaias, Cunhas.. Eu não gosto do Temer, não boto fé no Aécio, não suporto o Renan.  Eu acho o Lula muito carismático, um cara que tem um poder de convencimento absurdo e que se perdeu na megalomania e vaidade. Já votei nele. E já votei em FHC. E no Covas. E na Erundina. Não curto Dilma como estadista; acho Eduardo Cardozo competente. Não entendo a fidelidade cega de Zé Dirceu. Sigo petistas radicais, entendo a visão apaixonada de quem vem arrastando uma ideologia desde os anos 60 ou 70. Na minha incoerência, ao mesmo tempo em que sonho com uma sociedade igualitária, desconfio que nunca vai dar certo com o certo humano, naturalmente ambicioso e competitivo. Só se essa geração nativa de Internet conseguir isso, com uma visão mais amorosa de coletividade. A minha geração não foi capaz, nem com paz, amor, flores, drugs, sex e rock’n’roll.
7. Sim, sou uma mulher madura, faço parte da elite branca, sou considerada classe média alta pelo IBGE, não me vejo como coxinha, não bati panela, nunca fui de direita. Não sai às ruas pedindo impeachment. Não apoio o impeachment da Dilma pelos motivos alegados. Não sou petista e gostaria de ser percebida como alguém do grupo de ‘artistas e intelectuais de esquerda’, pena que não sou intelectual nem me identifico com ESSA esquerda. Queria uma esquerda pra chamar de minha e uma democracia madura. Queria um povo feliz. Queria o fim da miséria. Queria um Brasil instruído, moderno, sem preconceito, unido. Queria gente competente e honesta administrando o Brasil. Queria os direitos da nossa constituição garantidos. Queria ter orgulho do país onde nasci e onde moro. Queria não ter que pensar em desistir do Brasil como cidadã por pensar que o número de anos necessários pra consertar tudo isso é maior do que tempo de vida que ainda tenho na Terra.
<3
Boa sorte a todos nós.