Todo mundo erra na vida, até porque aprendemos assim, errando e acertando. A vida é empírica, é pra experimentar. Por isso, ninguém espera uma sucessão de perfeições. O problema é quando uma atitude errada, um comportamento errado, passa a ser constante e coletivo, como acontece com os “comentários de Internet”. Ler comentários de vídeos, posts, de matérias em jornais é pedir pra entrar em depressão. É como se fosse um vício generalizado, como se todo mundo tivesse combinado de ser mais ácido e corrosivo do que doce e compreensivo, mais destrutivo que construtivo. Como se para comentar na Internet tivéssemos que deixar o manto da compaixão no cabide e vestir o capa da crueldade.

Foi com essa capa que boa parte do mundo detonou o trabalho do escultor Emanuel Santos, quando ele apresentou ao mundo a escultura que fez do craque Cristiano Ronaldo. Um ano depois da chacota mundial, o Bleacher Report, entrevistou Emanuel e propôs a ela um desafio: fazer uma segunda tentativa da escultura. Quando vi o vídeo da matéria, meu coração se partiu. A mulher dele chora, fala do tanto que sofreram, fala do filho pequeno que tem orgulho do pai. Qualquer pessoa com um mínimo de sentimento, sente um aperto em algum lugar da alma.

 

 

Emanuel faz esculturas como hobby. É da Ilha da Madeira, assim como Cristiano Ronaldo, atleta que ele acompanha desde sempre. Os dois são de origem simples e, cada um a seu modo, conseguiu dar a volta por cima. Até ai, nada de extraordinário, muita gente vence na vida pelo esforço, pelo talento. Mas é quando a gente vê o trabalho, o esforço para produzir o busto que nos damos conta de como é fácil criticar e como é difícil fazer.

Em um dado momento do vídeo, a reportagem pede para que Emanuel fique ao lado do busto de Cristiano Ronaldo, no aeroporto. O repórter pede a opinião das pessoas que por ali passa. Muitas criticam. E então, o repórter diz ‘o escultor é esse que está ai ao lado’. Quase nenhuma delas, ao ver-se diante do autor, sustenta a mesma opinião. Todas contemporizam, aliviam, alteram suas falas. Fica claro pra cada um de nós que “falar na cara” é infinitamente diferente de ‘escrever na Internet’.

Mas é o efeito das críticas na vida das pessoas que nos oferece uma lição. Muitas vezes falamos por falar, criticamos pra entrar na onda, escrevemos porque estamos seguros em nossas casas, protegidos pela não-presença. E não nos damos conta que, embora aquele comentário seja passageiro pra nós, ele é permanente pra quem o recebe. Ver o sofrimento dessa família, causado por uma  ‘chacota mundial’, diante de uma escultura que foi feita com a melhor das intenções, dá vergonha na gente.

Se você tiver um tempo, leia a matéria, veja o vídeo. Dá vontade de ir até a Ilha da Madeira e abraçar essa família e pedir desculpas em nome da humanidade.

A gente quer um mundo melhor, mais justo, quer paz, não quer?
Então, em vez de começar pedindo isso pros outros, seja o caso de oferecermos ao mundo uma postura menos cruel, mais humana, menos destrutiva e mais amorosa.

Porque sem amor, não vai dar, não.

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