Ninguém nunca entendeu o mundo, seria muita pretensão. Mas o ser humano sempre tentou entender o máximo possível para fazer o que o cérebro mais ama nessa vida que é prever acontecimentos.

Fazemos planos pro ano que vem, pras próximas férias, pro nosso futuro, porque acreditamos ter algum controle sobre nossas opções. Mas, se um dia tivemos algum controle sobre alguma coisa, perdemos esse pouco. Eu, pelo menos, não estou entendendo mais nada. E isso em praticamente todos os assuntos.

As notícias dos jornais, de homens-bomba a feminicídios, passando por violência no trânsito, nos estádios e nas escolas, me faz crer que o ser humano nunca se civilizou de verdade. Uns podem conter as emoções, outros botam tudo pra fora sem filtros, mas a sensação é de que não somos bestas feras prontos para atacar a qualquer momento. Muito provavelmente o ser humano sempre foi desse jeito e a diferença é que agora temos acesso a tudo, vemos tudo, sabemos o que acontece. Não deixa de ser chocante descobrir como o ser humano está desequilibrado, ambicioso, autoreferente. Ninguém ouve ninguém. Você fala e o outro só espera você terminar pra falar sobre ele. Não há diálogo, há múltiplos monólogos.

A política tornou-se uma desilusão tão grande, tão distante da missão de servir o povo e a pátria, que desestimula até o conserto dessa corrupção endêmica, fruto de uma ambição desmedida. Tenho admiração por quem pensa em entrar para a política brasileira pra renová-la. Acho possível, mas só vai dar certo se sair todo mundo e entrar um batalhão de gente nova e bem intencionada. Pra entrar, tem que ser em massa, individualmente todas as andorinhas serão abatidas muito antes do verão.

A humanidade não tem se mostrada muito humana. Mesmo com bons exemplos aqui e ali, de ONGs e indivíduos que realmente praticam o bem, a filantropia, o fato gera é que os mercados que mais movimentam dinheiro no planeta Terra são coisas como a indústria bélica, o tráfico internacional de drogas, o tráfico de pessoas, petróleo, falsificação, prostituição, entre outros. Não é um selfie bonito do nosso mundo.

Apesar de tudo, sempre tive esperança na educação. Repetimos isso há muito tempo ‘a educação pode salvar o Brasil’. E ai vemos que o conhecimento formal está morrendo, que as escolas querem trocar matérias fundamentais por assuntos que deveriam ser da conta da família, como empatia. Jura que ’empatia’ pode ser um curso básico a cargo da ESCOLA em vez de vir de casa? O que me parece é que em vez de elevar o nível dos alunos com boa educação cada vez mais diminuem o nível do currículo para atender à falta de vontade geral de aprender. Quer dizer que em vez de ensinar crianças a gostar de matemática a ideia é ensinar matemática cada vez menos? Vamos parar de ensinar ciências porque a maioria acha ‘humanas’ mais fácil? Que profissionais vão se formar desse jeito? Ou ninguém mais vai se formar e o cirurgião vai pegar um tutorial no YouTube antes da cirurgia e pronto?

Espero estar realmente errada. Espero que um novo caminho, impensável esteja sendo construido. Talvez os poucos que estudam e amam aprender estejam construindo máquinas, robôs, que vão oferecer todas as soluções, da construção à neurocirurgia. Não sei qual vai ser a configuração do que virá, espero que dê tudo certo. Mas, por enquanto, o pessimismo que tenta se apossar da minha esperança vê um futuro caótico, que vai destruir tudo antes de tentar construir algo novo, uma convivência entre a inteligência artificial e a burrice natural. Tomara que a burra seja eu.