To Ward-off the Evil Eye

A inveja vem do olhar. É o olho gordo, o mal-olhado, o sentimento ruim de desgosto ao ver algo que o outro tem e você,não; uma conquista que o outro fez e você, não; a prosperidade que o outro alcançou e você, não.

Não se tem inveja do que não se vê, não se conhece, não se sabe. Ninguém sente inveja da riqueza de um magnata do petróleo no oriente médio de quem nunca ouvimos falar, ou de um empresário russo cujo nome nem somos capazes de pronunciar. Mas basta o vizinho subir na vida, o colega de trabalho ser promovido,  o parente ganhar na loto e….ah! que inveja que dá.

E, na nossa nova vida de hiperexposição na Internet, nada mais óbvio que ver a escalada da inveja. Porque pessoas que acompanhamos nas redes sociais, no YouTube, crescem diante de nossos olhos. Ficam famosos, começam a ganhar dinheiro e ficam ricos, muito ricos. E continuam expondo essa riqueza. Compram terrenos, montam empresas, constroem casas e mostram tudo. Mostram a construção, a reforma, as viagens pelo mundo. O que acaba gerando mais e mais inveja.

Sentir inveja é totalmente humano. É normal ver algo que o outro quem e querer ter também. Crianças vêem outras crianças e querem o brinquedo, o sorvete, tudo. Desejar o que outro tem não é ruim, o que é doentio é querer que o outro não tenha ou que perca o que conquistou!

Muitos influenciadores digitais, youtubers, produtores de conteúdo atingiram patamares de riqueza dignos de rockstars ou jogadores de futebol. E por que invejamos esses novos sucessos da vida online mais do que invejamos atletas ou cantores? Porque o cantor, o artista, vive longe da gente. Parece fora do nosso alcance. Mas aquele carinha, aquela mina ali, no YouTube, parece uma pessoa qualquer, parece….um de nós. E ai, vem o pensamento de que…poderia ser a gente. Poderia ser ‘eu’ no lugar do outro, com não-sei-quantos milhões de inscritos e outros tantos milhões no banco.

E aí doi muito mais. Porque o caminho que ele ou ela fez está aberto. É só ir ali no YouTube, abrir uma conta e subir uns vídeo. PARECE que é só isso. Parece que é fácil e simples. Mas requer muita coisa. Requer talento, tempo, esforço, dedicação, comprometimento, muita coisa. E, claro, sorte também. Faz parte. É UM fator. Talvez o fator mais decisivo seja a persistência.

Mas tudo isso a inveja não vê.  A inveja não tem senso de tempo. Ela não vê o processo, vê apenas o resultado. A inveja deve ser prima-irmã da preguiça, porque o que ela quer é  moleza, quer chegar por último no bonde e pegar o lugar de quem estava na janelinha.

Não rola. Não adianta. A inveja, além de nervosinha, é burra. Sentir inveja e achar que isso vai destruir o outro é como tomar veneno e achar que o outro é que vai morrer. Não vai. Tanto é que usamos o termo ‘morrer de inveja’. Porque é o invejoso que morre lentamente. Ok, vamos todos morrer mesmo. A diferença é que quem se livra da inveja, vive bem e feliz com o que tem. Vê no sucesso do outro um estímulo, não uma afronta. O invejoso vive os dias da sua vida intoxicado pela raiva, sentindo-se injustiçado pelo destino, reclamando do que tem.

Da próxima vez que rolar uma invejinha, livre-se dela bem depressa, como a gente faz com visita chata.
Invente uma desculpa e mande a bichinha pra fora.
Vai ser melhor pra todo mundo.
Pode acreditar.
Palavra de quem vive enxotando a inveja pra fora de casinha.