Meditação em Phuket

 

Eu poderia ter ido a Botucatu para aprender técnicas de meditação. Ou poderia ter usado um aplicativo para meditar no quarto da minha casa.  Mas fui para a Tailândia fazer uma semana de meditação. E,  já que viajei quase trinta horas para chegar lá, fora a espera nos aeroportos, fiquei totalmente offline e parcialmente em silêncio e vivi experiências bem novas, achei que seria legal compartilhar. Inspire, expire e vamos ao relato.

A longa rota foi feita em 4 viagens: São Paulo-Addis Ababa (Etiópia), Addis-Ababa-Bangkok, Bangkok-Phuket. De Phuket pegamos a balsa para Ko Phi Phi, ficamos uns dias e voltamos de balsa para chegar ao retiro em Phuket. O hotel ficava no meio de lugar nenhum. Mas era lá a base do curso, recomendado pela Monja Cohen num blog que pesquisamos.

O grupo era pequeno, sete pessoas. O curso incluía aulas de yoga, as orientações do mestre, as excursões matinais e a alimentação vegana. No primeiro dia recebemos uma sacola com material de leitura, uma almofada, o tapete para sentar e meditar, um crachá com os dizeres ‘In Silence’ (em silêncio). A partir daquele momento, avisei a família que ficaria offline, deixamos o telefone do hotel para casos de emergência, desliguei os dois celulares e guardei-os na mala. Confesso que foi, ao mesmo tempo, libertador e assustador. Escolhemos nossos pratos veganos e lemos todo o texto com as orientações, o passo a passo para meditar.

Na manhã seguinte, acordamos às  5 da manhã e, em jejum, encontrámos o grupo (que incluia uma médica chinesa, os 7 alunos do grupo, o casal de orientadores) e ainda no escuro, saíamos com a van para o local de meditação, na ponta de uma praia de águas cristalinas. Ali começamos a prática. Sentamos em nossos tapetes de pernas cruzadas, olhos fechados e, em posição absolutamente imóvel, começamos o processo de conscientização da respiração. Não vou descrever todos os passos aqui, mas são etapas que vão da atenção à respiração e o relaxamento ao expirar, a atenção aos sons ao redor, a conscientização do ir e vir do pensamentos e da dança da nossa mente sempre ocupada com o passado e futuro, sempre fugindo o presente. E é esse conceito de presente que permeia a prática. A verdade é o aqui-agora, aquele instante, o que é. Todo o resto é apenas pensamento, nossa mente condicionada. Observar isso é muito poderoso.

Terminada a prática, caminhávamos meia hora e voltávamos para tomar o café da manhã e escolher as outras refeições. Praticávamos mais por nossa conta até o horário da aula de ioga, bastante ‘puxada’, aliás. Depois mais meditação, jantar às 18 horas e sem comer nada até as 9:30 do dia seguinte. Não é difícil de fazer, mas requer disposição interior. No começo senti muita falta dos meus treinos de corrida, do meu movimento, do meu pensamento criativo, de toda a movimentação das redes sociais. Porque o retiro inclui não ler nada, nem livros, não ligar nenhum aparelho eletrônico, nem ouvir música, rádio, TV, nada. A mente fica sem todos os brinquedinhos e a distração e só aí nos damos conta do tanto de excessos que temos em nossas vidas modernas.

Não vou dizer que ‘foi uma mudança radical em minha vida’, etc. Mas certamente foi um primeiro passo para um longo caminho. A partir de agora vou começar um programa de 21 dias de meditação, tentando conquistar a parte mais difícil, a de ficar sentada por longos periodos, imóvel. É preciso ter o corpo e a coluna muito bem preparados para ficar estática. Mas, aos poucos, fortalecendo a musculatura e com treinos constantes, é possível de fazer.

Meditar não é só sentar e ‘ficar sem pensar’, o que é impossível. Mas com a respiração correta é possível aquietar a mente e desenvolver a coisa mais importante de tudo: a generosidade. É só através da generosidade para com o outro e para com nosso próprio ‘eu’ que podemos encontrar a felicidade.

Namastê!